Pronunciamento deve servir como vitrine eleitoral para 2026 enquanto especialistas alertam risco fiscal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recorrer à televisão e ao rádio para fazer propaganda oficial da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. O pronunciamento, já gravado, irá ao ar neste domingo (30), às 20h30, em rede nacional, segundo informações da Folha de S.Paulo.
A ação do governo ocorre num momento de desgaste político, crise com o Congresso e críticas sobre o impacto fiscal da medida — mas ainda assim será usada como peça de autopromoção de Lula, mirando diretamente o cenário eleitoral de 2026.
Governo aposta no discurso eleitoral
O Planalto trata a nova faixa de isenção como “a maior conquista” do terceiro mandato e quer transformar o anúncio em capital político, reforçando a imagem de Lula como um presidente que “olha para os pobres”, apesar do aumento da carga tributária em outras áreas.
O objetivo é usar a transmissão nacional para impulsionar sua narrativa de campanha e projetá-lo como líder forte para 2026 — estratégia considerada arriscada por analistas, já que o governo enfrenta crescente desgaste e queda de popularidade.
A gravação foi feita no Palácio do Planalto. Lula aparecerá sentado à mesa, com um mapa-múndi ao fundo — tentativa evidente do governo de reforçar o discurso de “liderança internacional”, embora o país enfrente isolamento diplomático crescente em vários temas.
Atritos com o Congresso se intensificam
O pronunciamento também expõe a ruptura política com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que boicotaram a cerimônia de sanção do projeto em protesto contra o Planalto.
A relação azedou ainda mais após Lula ignorar Alcolumbre e escolher Jorge Messias para o STF, frustrando a articulação que favorecia Rodrigo Pacheco. Desde então, o Senado passou a pautar matérias que elevam despesas e criam dificuldades para o governo.
Especialistas alertam para impacto fiscal
Apesar do teor celebratório do discurso que irá ao ar, economistas apontam que a medida tende a aumentar a pressão sobre as contas públicas. A renúncia de receita ocorre num momento em que o governo:
- já enfrenta déficits crescentes,
- não apresentou compensações suficientes,
- e amplia gastos sem respaldo de arrecadação.
Para especialistas, a isenção pode piorar o desequilíbrio fiscal e agravar a desconfiança do mercado, mas o governo prefere enfatizar o ganho político, deixando de lado o debate sobre sustentabilidade financeira.