Mas há um detalhe.
Para certos veículos de imprensa, a realidade não importa quando a manchete já está escrita de antemão. A observação foi convertida, sem cerimônia, em uma suposta defesa da “entrega do Pix” aos americanos — como se Eduardo Bolsonaro estivesse propondo a capitulação de um ativo tecnológico nacional.
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Entrar no grupo Alguém leu a declaração original? Alguém se deu ao trabalho de ouvir o que foi dito antes de publicar? Ou a pauta já chegou à redação com o veredicto pronto?
A resposta, infelizmente, já é conhecida.
O que se viu foi jornalismo militante em estado puro. Não houve apuração. Não houve contexto. Houve enquadramento ideológico — aquele tipo de cobertura em que o fato é apenas um pretexto para reforçar uma narrativa previamente definida. O alvo é sempre o mesmo. O método, idem. Muda apenas o pretexto do dia.
Agora compare: quando membros do governo Lula fazem declarações controversas sobre política econômica ou relações internacionais, a mesma imprensa oferece “contexto”, “nuance” e “interpretação generosa”. Quando se trata de qualquer Bolsonaro, a manchete já nasce envenenada.
Não é coincidência.
É seletividade editorial travestida de jornalismo. É a velha prática de fabricar inimigos para sustentar narrativas que já perderam qualquer aderência à realidade. E o mais grave: é feita por veículos que se apresentam como guardiões da democracia e da informação de qualidade.
Eduardo Bolsonaro reagiu com firmeza, expondo a distorção. Mas o estrago já estava feito — porque no jogo da desinformação industrializada, o desmentido nunca alcança a velocidade da mentira.
A pergunta que ninguém faz é simples: até quando uma parcela da imprensa brasileira vai preferir o sensacionalismo militante à precisão factual? Até quando o ódio político vai ocupar o espaço que deveria ser da informação?
A resposta é desconfortável. Enquanto houver público disposto a consumir indignação pré-fabricada no lugar de fatos, a fábrica não fecha. E quem paga o preço não é apenas o alvo da vez — é o leitor que confia no que lê.