Porque há quem prefira a tese ao fato. O conceito à realidade. A narrativa ao corpo estendido no chão.
A esquerda brasileira insiste em tratar a maioridade penal como dogma intocável. Um tabu ideológico que não pode ser questionado, não importa quantas vítimas se acumulem, não importa o quanto a criminalidade juvenil avance sobre comunidades inteiras, não importa o que o povo — aquele mesmo povo em cujo nome se fala — pense sobre o assunto.
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Entrar no grupo E é aí que a contradição se torna insustentável.
Os mesmos grupos que reivindicam o monopólio da representação popular são os que ignoram solenemente a vontade de 90% da população. Os mesmos que dizem lutar pelo povo são os que se recusam a ouvir o que o povo grita há décadas.
Democracia seletiva tem outro nome.
O argumento de que adolescentes não têm maturidade para responder por crimes graves já não convence quem vive nas periferias do Brasil. Quem enterra filhos assassinados por menores armados não quer ouvir teses acadêmicas sobre desenvolvimento cognitivo. Quer justiça. Quer que o Estado funcione. Quer que a lei proteja quem precisa de proteção — e responsabilize quem precisa ser responsabilizado.
Mas há um detalhe que ninguém menciona: a mesma esquerda que considera um jovem de 16 anos imaturo demais para responder por um homicídio não tem a menor objeção a que esse mesmo jovem vote. Pode escolher o presidente da República, mas não pode ser responsabilizado por tirar uma vida?
A pergunta que ninguém faz é simples: a quem serve a manutenção desse modelo?
Certamente não serve às vítimas. Não serve às comunidades devastadas pela violência. Não serve aos brasileiros que, em proporção histórica, clamam por uma mudança que nunca chega.
Serve, isso sim, a uma classe política que transformou a segurança pública em trincheira ideológica. Que prefere defender bandeiras abstratas a enfrentar o problema concreto que destrói vidas reais, todos os dias, em todas as cidades do país.
O vácuo entre o que o povo quer e o que seus representantes entregam não é um acidente. É uma escolha. E escolhas têm consequências — nas urnas e nas ruas.
Quando 90% de uma nação fala a mesma coisa e o poder político responde com silêncio, não é o povo que está errado. É o poder que perdeu a legitimidade de falar em seu nome.