O papel de Mohamad no esquema
O Ministério Público descreve Mohamad como o “epicentro” da rede de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais ligada ao setor de combustíveis. A estratégia envolvia toda a cadeia, de usinas a postos, movimentando valores bilionários.
Nas redes sociais, Mohamad se apresentava como CEO da G8LOG e consultor da Copape. Em seu perfil no LinkedIn, escreveu: “Sou um empresário e investidor que acredita na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento como caminho para o alcance de resultados sólidos”.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo G8LOG e Moska Log como instrumentos de ocultação
A G8LOG Agro, criada em 2024, operava no transporte de cana e etanol para o Grupo Itajobi. No entanto, segundo os investigadores, sua função principal era ocultar patrimônio do crime organizado. A frota estava registrada em nome da Blue Star, outra empresa considerada de fachada.
A Moska Log, por sua vez, atuava integrada à G8LOG, compartilhando logomarca, frota e até o mesmo telefone. Essa sobreposição reforçava a camuflagem societária para lavagem de dinheiro. Diversos bens, incluindo imóveis e veículos, foram apreendidos.
O grupo também simulava transações infladas para sonegar impostos e obter créditos tributários de forma ilícita. “Beto Louco”, citado como co-líder, cuidava da falsificação de documentos, fraudes contábeis e movimentação de capitais ilícitos.
Operação Carbono Oculto: oito estados na mira
A Operação Carbono Oculto mobilizou 1,4 mil agentes em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A Secretaria da Fazenda de São Paulo calcula que o grupo tenha sonegado R$ 7,6 bilhões em impostos. O esquema envolvia desde a importação irregular de químicos até a adulteração de combustíveis em postos.
A Receita Federal também identificou a existência de 40 fundos de investimento controlados pela rede criminosa, com patrimônio de R$ 30 bilhões. Esses recursos abasteciam usinas, distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis.
Ao todo, mais de 350 pessoas e empresas são investigadas por crimes que incluem sonegação fiscal, estelionato, fraudes ambientais, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro. A operação é coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, em conjunto com o Ministério Público Federal, Receita e forças policiais.