Perfil dos eleitores que não comparecem às urnas favorece redução na votação do presidente, segundo Marcelo Tokarski
O cenário eleitoral para 2026 já começa a ser moldado por um fator que vai além das intenções de voto: a abstenção. De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, o fenômeno pode subtrair cerca de dois pontos percentuais da votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A análise foi apresentada nesta segunda-feira (28), durante entrevista à CNN.
“Na minha visão, a diferença entre o resultado das pesquisas e o resultado das urnas tende a tirar, pelos cálculos que a gente vem fazendo aqui na Nexus, uns dois pontos percentuais da votação do presidente”, afirmou Tokarski.
Eleitores de baixa renda e escolaridade são os mais ausentes
A explicação para esse possível impacto está no perfil dos brasileiros que historicamente deixam de votar nas eleições presidenciais. Segundo o executivo, os maiores índices de abstenção se concentram entre pessoas com menor escolaridade e renda — justamente os segmentos em que Lula registra desempenho muito superior ao de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Nexus/BTG.
“Historicamente, quando você analisa o dado dos eleitores absenteístas durante as eleições presidenciais, tende a ter uma abstenção maior em eleitores de baixa escolaridade e de baixa renda”, afirmou. “E esse é um eleitor que hoje vota muito mais no presidente Lula do que em Flávio Bolsonaro no primeiro e no segundo turno.”
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Idosos com 70 anos ou mais tiveram 59% de abstenção na última eleição
Outro grupo que preocupa a campanha petista é o de eleitores com 60 anos ou mais. Tokarski destacou que esse segmento já representa quase um quarto do eleitorado brasileiro e vem demonstrando preferência por Lula nas pesquisas da Nexus. Entre aqueles com 70 anos ou mais — faixa etária para a qual o voto é facultativo —, a abstenção atingiu impressionantes 59% no pleito anterior, conforme dados mencionados pelo CEO.
“Isso é um risco porque Lula vem liderando todas as pesquisas no público 60 mais”, disse. “A abstenção tem crescido em torno de um ponto percentual a cada eleição presidencial. Na última eleição, chegou a 20,9% no segundo turno”, afirmou.
Apesar do alerta, Tokarski avaliou que não existem indicativos de uma disparada da abstenção neste ano, embora um novo crescimento seja possível. “Não há nada que nos indique uma frustração ou um cansaço tão grande a ponto de essa abstenção disparar. Ela pode crescer, mas, na minha opinião, tende a crescer pouco”, avaliou.
Lula lidera o primeiro turno com 42% contra 37% de Flávio Bolsonaro
A pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira traz Lula à frente no primeiro turno com 42% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 37%. A diferença de cinco pontos está fora da margem de erro — na rodada anterior, essa distância era de apenas três pontos.
Os demais candidatos testados apresentaram os seguintes números: Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) com 5% cada; Renan Santos (Missão) com 4%; Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) com 1% cada. Os outros nomes não pontuaram. Brancos, nulos e a opção “nenhum” somaram 3%, enquanto 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
Segundo turno segue em empate técnico entre Lula e Flávio
Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados, com 46% e 44%, respectivamente. Duas semanas atrás, o placar registrava 47% a 46%.
Para Tokarski, os novos números representam “um certo alívio” para a campanha do PT. No entanto, ele fez uma ressalva importante: a vantagem no primeiro turno não está consolidada, já que o piso de Lula (39%) equivale ao teto de Flávio.
“Lula ganha um fôlego para tentar manter esse movimento ou pelo menos manter essa diferença e conseguir chegar em primeiro lugar no primeiro turno”, afirmou.
Cenário permanece em aberto, avalia Tokarski
Mesmo com a melhora nos números, o CEO da Nexus fez questão de frisar que nada está definido. “Essa melhora de Lula não significa que ele vai continuar crescendo e abrindo, nem que Flávio vai reagir. Pode continuar na mesma. Mas nada está definido”, disse.
Tokarski também considera provável a ocorrência de um segundo turno. Segundo sua análise, para que a disputa fosse decidida já no primeiro domingo (4), seria necessário um movimento de voto útil extremamente concentrado em apenas um dos lados — algo que raramente se verifica na prática.
“Acredito que o movimento de voto útil, mesmo que aconteça nessa reta final, para fazer com que a decisão da eleição seja no primeiro turno, precisaria ser um movimento muito intenso e para apenas um dos lados, coisa que normalmente não acontece”, afirmou.
Metodologia da pesquisa Nexus/BTG
O levantamento ouviu 2.000 eleitores brasileiros a partir de 16 anos, todos com título de eleitor, entre os dias 25 e 27 de setembro, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07557/2026.
