Advogado de Vorcaro pediu a Marcola que levasse queixas sobre Banco Central a Lula durante negociação do Master
Mensagens de WhatsApp mostram advogado de Vorcaro pedindo a Marcola que informasse Lula sobre dificuldades impostas pelo Banco Central à venda do Master
Por ContraFatos 25/09/2026 Atualizado em 25/09/2026
Marcola e Lula Foto: Evaristo Sa / AFP
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelam contato entre defesa do ex-banqueiro e ex-chefe de gabinete presidencial
Conversas registradas em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos” mostram que o advogadoWalfrido Warde, representante legal de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, solicitou ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro — o Marcola — que levasse reclamações sobre o Banco Central ao presidente da República.
O diálogo aconteceu em julho de 2025, período em que estavam em andamento as tratativas para a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A Polícia Federal obteve o conteúdo ao extrair dados do celular de Vorcaro, e o jornal O Globo teve acesso às mensagens e as divulgou.
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Antes de recorrer a Marcola no grupo de WhatsApp, Warde já havia tratado do tema diretamente com Vorcaro. De acordo com as mensagens, o então banqueiro demonstrava insatisfação com a postura do Banco Central e solicitou ao advogado que informasse o presidente Lula sobre as dificuldades que vinham sendo impostas à operação.
Logo em seguida, Warde escreveu no grupo “Amigos” que seria necessário “ir pra cima do Banco Central”. O advogado também fez críticas ao presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, acusando-o de dificultar a transação envolvendo o BRB. O termo “Bacen”, acrônimo de Banco Central, foi utilizado nas mensagens.
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Ainda segundo o conteúdo das mensagens, o então chefe de gabinete de Lula respondeu ao pedido de Warde afirmando que levaria o recado ao presidente. O episódio evidencia a proximidade entre o advogado de Vorcaro e um integrante de alto escalão da Presidência da República.
Ex-chefe de gabinete nega ter intermediado negociações
Por meio de sua assessoria, Marcola afirmou que não intermediou negociações nem atuou em favor de interesses privados. Segundo a manifestação, ele apenas informou que faria os encaminhamentos institucionais cabíveis diante do pedido recebido.
A assessoria também declarou que o procedimento estava dentro das atribuições do então chefe de gabinete e que pedidos de audiência deveriam ser formalizados por e-mail.
O caso veio à tona meses depois de outras mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro já terem revelado tentativas de articulação envolvendo a venda do Master.