Advogado de Vorcaro sugeriu ‘estratégia matadora’ para livrar ‘amigo Alexandre’ das sanções da Lei Magnitsky
Advogado Walfrido Warde propôs a Daniel Vorcaro acionar a Corte Interamericana para retirar Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky
Por ContraFatos 23/09/2026 Atualizado em 23/09/2026
Foto: Reprodução de vídeo
Mensagens do celular de Daniel Vorcaro revelam plano de advogado para acionar Corte Interamericana contra Trump em defesa do ministro do STF
Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro trouxeram à tona uma tentativa articulada por seu então advogado, Walfrido Warde, de montar uma defesa internacional em favor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A revelação foi feita pelo jornal O Globo.
O contexto: Moraes na mira da Lei Magnitsky
Em agosto de 2025, Alexandre de Moraes foi incluído na lista de penalizados pela Lei Magnitsky, instrumento criado durante o governo Barack Obama para sancionar autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. Nos Estados Unidos, o enquadramento impõe restrições financeiras tão severas que são comparadas a uma “pena de morte financeira”. A medida formalizou a ofensiva do governo Donald Trump contra o Judiciário brasileiro.
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A proposta de Warde a Vorcaro
Apenas dois dias após a sanção ser aplicada contra o ministro, Walfrido Warde — que atuou na defesa de Vorcaro até janeiro de 2026 — enviou mensagens ao ex-banqueiro oferecendo auxílio. Em 1º de agosto de 2025, escreveu: “Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA”. Na sequência, completou: “Eu, além das relações, tenho uma estratégia matadora para ajudá-lo na Corte de direitos humanos.”
A proposta consistia em acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sustentando que o governo norte-americano estaria usando seus poderes para atacar um magistrado brasileiro com o objetivo de favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
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Vorcaro demonstrou interesse na ideia e respondeu: “Vamos”, disse. “Vou falar com ele.” A partir daí, Warde aprofundou o argumento que pretendia utilizar: “Não há alguém aqui que possa ajudar mais do que nós. Quero nada em troca. Só ajudar mesmo. O presidente americano está atacando, com uso da lei e dos seus poderes de presidente, um juiz togado brasileiro para viabilizar a eleição, no Brasil, de um seu subordinado, que é Jair Bolsonaro, acusado de golpe de Estado e processado na Suprema Corte do Brasil.”
Desdobramentos da sanção
O nome de Moraes permaneceu na lista da Lei Magnitsky de agosto até dezembro de 2025, quando foi retirado em meio a um processo de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O episódio revelado pelas mensagens expõe a movimentação nos bastidores para blindar o ministro do STF durante o período em que esteve sob as sanções norte-americanas.