Alexandre de Moraes dá prazo de cinco dias para PF justificar atraso em investigação sobre posts ligando Bolsonaro a canibalismo
Ministro Alexandre de Moraes deu cinco dias para a Polícia Federal explicar atraso em investigação sobre posts associando Bolsonaro a canibalismo nas eleições de 2022
Por ContraFatos 30/07/2026 Atualizado em 30/07/2026
Ministro Alexandre de Moraes Foto: Isac Nóbrega/PR
Ministro do STF cobra explicações após corporação descumprir determinação anterior
A Polícia Federal tem agora cinco dias para prestar esclarecimentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a demora na condução de uma investigação envolvendo publicações em redes sociais que associavam o ex-presidente Jair Bolsonaro ao canibalismo. A decisão foi tomada na quarta-feira, 29 de julho.
De acordo com a Secretaria Judiciária, a corporação não atendeu a uma ordem judicial prévia. O magistrado registrou que havia liberado os autos para que os policiais adotassem as providências exigidas, porém nenhuma resposta foi encaminhada ao tribunal.
Leitura
Como surgiu a polêmica eleitoral em 2022
O episódio tem raízes no segundo turno da disputa presidencial de 2022. Naquele momento, a equipe de campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva levou ao ar uma propaganda política direcionada contra o adversário. O material recuperava trechos de uma entrevista concedida por Bolsonaro ao jornal The New York Times em 2016, na qual o ex-presidente afirmava que comeria carne de um indígena caso isso fizesse parte da cultura local.
Diante da veiculação, a defesa de Bolsonaro recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que a peça publicitária utilizava cortes fora de contexto. O ministro Paulo de Tarso Sanseverino acolheu o pedido, determinou a retirada do vídeo do ar e proibiu o PT de exibir novamente o conteúdo.
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Processo migrou para o Supremo e PF permaneceu inerte
Após o encerramento do pleito, a Justiça Eleitoral transferiu os processos ao STF. Em outubro de 2024, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o levantamento dos dados cadastrais dos responsáveis pelas postagens. As empresas Meta e Google informaram que os registros já haviam sido perdidos. Já a rede X conseguiu recuperar parte das publicações.
A PGR então requereu que a Polícia Federal identificasse os autores dos posts e analisasse o comportamento dos perfis nas redes sociais no período compreendido entre 30 de outubro de 2022 e 10 de janeiro de 2023. Moraes acolheu o pedido em dezembro de 2024, fixando um prazo de 15 dias para que os policiais apresentassem nomes, CPFs e relatórios detalhados das contas envolvidas.
A corporação, no entanto, não cumpriu nenhuma das determinações, o que levou o ministro a renovar a cobrança com o novo prazo de cinco dias para justificar a inércia.