Andrei Rodrigues, diretor da PF, rejeita enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, declarou-se contrário a enquadrar facções como PCC e Comando Vermelho na legislação antiterrorismo
Por ContraFatos 06/06/2026 Atualizado em 06/06/2026
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante audiência na Câmara dos Deputados | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Chefe da Polícia Federal defende que facções criminosas devem ser combatidas com instrumentos específicos contra o crime organizado
A discussão sobre classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira, 4. Em evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, posicionou-se contrariamente à proposta.
Contexto: pressão dos Estados Unidos reacendeu o debate
O assunto retornou à pauta pública após autoridades dos Estados Unidos defenderem que organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) fossem enquadradas na categoria de terrorismo. A ideia é encarada por parte dos analistas como caminho para fortalecer a cooperação internacional e tornar mais rígidas as medidas de enfrentamento ao crime transnacional.
Leitura
Diretor da PF aponta diferenças entre terrorismo e crime organizado
Na visão de Andrei Rodrigues, há um equívoco em tratar facções e grupos terroristas de forma equivalente. Segundo ele, o terrorismo carrega características próprias, frequentemente vinculadas a objetivos políticos, ideológicos ou religiosos. Já as facções criminosas operam prioritariamente movidas pela busca de lucro, envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, contrabando e outros delitos.
Para o diretor-geral, as motivações, estruturas e formas de atuação desses grupos são essencialmente distintas, o que desaconselha o uso da legislação antiterrorismo contra eles.
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Brasil já tem instrumentos legais suficientes, diz Rodrigues
Andrei Rodrigues sustentou que o país já possui mecanismos jurídicos adequados para investigar e combater organizações criminosas. Na avaliação dele, adotar a classificação de terrorismo não traria benefícios práticos significativos às forças de segurança e poderia, ao contrário, gerar entraves jurídicos na condução das investigações.
Divergência sobre a melhor estratégia contra facções em expansão
A posição do chefe da Polícia Federal evidencia um ponto de tensão dentro do debate sobre como enfrentar o avanço das facções criminosas no Brasil e no exterior. Organizações como o PCC e o Comando Vermelho expandiram suas operações para além das fronteiras nacionais, atuando em diversos países da América do Sul.
Ainda assim, para Rodrigues, o caminho mais eficaz permanece sendo o uso de ferramentas voltadas especificamente ao combate do crime organizado, sem recorrer ao arcabouço legal criado para lidar com ameaças de natureza terrorista.