FGC promete normalização do sistema
O fundo informou que a infraestrutura tecnológica do aplicativo é autoescalável e que a expectativa é de normalização nas próximas horas. De acordo com o órgão, equipes técnicas seguem monitorando o sistema em tempo real e realizando ajustes para melhorar o desempenho.
Apesar disso, investidores relataram dificuldades para acessar a plataforma, concluir o cadastro e avançar nas etapas exigidas para solicitar o ressarcimento. A principal queixa envolve a impossibilidade de enviar documentos, etapa considerada essencial para a liberação dos valores.
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Entrar no grupo Pagamentos começaram após liquidação do banco
O pagamento da garantia teve início neste sábado para valores mantidos no Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro pelo Banco Central do Brasil (BC). Têm direito ao ressarcimento investidores com aplicações como Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ou recursos em conta corrente da instituição.
A operação prevê o desembolso de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores, o que configura o maior resgate já realizado pelo FGC. Inicialmente, a estimativa era de atender 1,6 milhão de clientes, número que foi revisado ao longo do processo.
Segundo o fundo, o intervalo de 60 dias entre a decretação da liquidação e o início dos pagamentos foi maior do que o padrão justamente em razão da dimensão e complexidade do caso.
Diretor do FGC fala em esforço excepcional
Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que a operação exigiu um trabalho fora do comum.
“A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível”, declarou.
Mesmo assim, nas redes sociais, investidores demonstraram frustração com as falhas do aplicativo, relatando telas que não carregam, mensagens de erro, dificuldades de autenticação e receio de novos atrasos, após quase dois meses de espera.
Procedimento não é automático e há alerta contra golpes
O FGC reforça que o pagamento não é automático. Para receber os valores, o investidor precisa se cadastrar no aplicativo e seguir o procedimento definido pelo fundo. O depósito será feito diretamente em conta de mesma titularidade do credor.
O órgão também alerta para tentativas de golpe e ressalta que o ressarcimento deve ser solicitado exclusivamente pelos canais oficiais. O valor máximo coberto é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos calculados até a data da liquidação. Não há correção posterior por inflação ou pela taxa Selic.
Especialistas afastam risco sistêmico
Apesar do montante envolvido, especialistas avaliam que o caso não representa risco sistêmico ao fundo. De acordo com relatório divulgado em novembro de 2025, o FGC dispõe de cerca de R$ 125 bilhões em caixa. Até então, o maior desembolso havia ocorrido na liquidação do Bamerindus, em 1997, com aproximadamente R$ 20 bilhões em valores atualizados.
O Banco Master teve a liquidação decretada pelo BC em razão de uma grave crise de liquidez e de violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Investigações apontam o uso de operações simuladas, laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez.
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso ao tentar deixar o país, mas foi solto dias depois, com a imposição do uso de tornozeleira eletrônica.