Segurança e combate ao crime na região
A ministra argumentou que a fronteira entre Misiones e o Brasil tem passagens sem controle, onde é possível atravessar caminhando, e que a área sofre com problemas graves de segurança.
“Há um problema muito sério na região, inclusive com assassinatos por pistoleiros”, destacou Bullrich.
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Além disso, a diferença cambial entre o peso argentino e o real impulsiona um intenso fluxo de mercadorias entre os países, o que também preocupa as autoridades argentinas.
O plano de Milei prevê um fortalecimento gradual do controle fronteiriço, incluindo um aumento da fiscalização também na divisa entre Paraguai e as províncias argentinas do Chaco e Salta.
Possibilidade de novas cercas
Questionada sobre a possibilidade de construir mais barreiras físicas além da planejada na Bolívia, Bullrich não descartou a medida. Segundo a ministra, o Plano Güemes, que visa combater o contrabando, o tráfico de drogas e de pessoas, passa por avaliações diárias, com revisões mensais detalhadas.
Contudo, afirmou que, por enquanto, a única cerca confirmada é a que será instalada em Águas Blancas, na divisa com Bermejo, na Bolívia.
O projeto, publicado no diário oficial da província de Salta, prevê uma estrutura de 200 metros de aço, com arame farpado no topo e postes de concreto. Segundo as autoridades locais, a barreira foi um pedido direto do governo Milei para direcionar os imigrantes ilegais para os postos de controle migratório.
“Estamos deslocando cada vez mais agentes de segurança para a região”, disse Bullrich.
Ela negou, no entanto, que a cerca será eletrificada:
“Isso seria uma loucura. Hoje já existe um muro baixo, que as pessoas pulam. Agora será substituído por uma cerca mais eficiente.”
Bolívia reage e vê risco para relações diplomáticas
A decisão da Argentina causou preocupação no governo boliviano, que criticou a falta de diálogo e alertou para possíveis impactos nas relações entre os países.
“Os temas fronteiriços devem ser tratados mediante mecanismos bilaterais para encontrar soluções coordenadas. Medidas unilaterais podem afetar a boa vizinhança e a convivência pacífica entre povos irmãos”, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia.
Diante da reação, Bullrich foi categórica:
“Dentro da nossa fronteira, nós fazemos o que queremos. Estamos pondo uma cerca em nossa casa, em nossa pátria.”
Argentina endurece controle migratório
A política de segurança de Javier Milei demonstra um endurecimento na fiscalização de fronteiras e uma postura mais rígida contra a imigração ilegal. O aumento da vigilância na divisa com Brasil, Bolívia e Paraguai reforça a estratégia do governo argentino de limitar o fluxo irregular de pessoas e mercadorias.
Com a tensão crescente entre os países vizinhos, resta saber como o Brasil e outras nações da região reagirão a essas medidas.