Hugo Motta autorizou retomada da segurança por 90 dias após deputada do PSOL contestar a revogação
A decisão de retirar a escolta armada da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) gerou controvérsia na Câmara dos Deputados. A proteção havia sido suspensa após a Polícia Legislativa avaliar que a parlamentar frequentou áreas classificadas como de “altíssimo risco” no Complexo da Maré, região da Zona Norte do Rio de Janeiro controlada por traficantes e milicianos.
Diante do pedido de revisão apresentado pela deputada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recuou e revogou a decisão nesta quinta-feira (2). A retomada da proteção foi autorizada em caráter excepcional, com validade de 90 dias contados a partir de 12 de junho.
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Deputada justifica idas à Maré como parte da agenda oficial
O gabinete de Talíria Petrone defendeu que as visitas às comunidades integram compromissos institucionais. Segundo a equipe da parlamentar, uma das idas ao território foi motivada por audiência pública aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano, enquanto outra esteve ligada a eventos promovidos pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A deputada reagiu publicamente à perda da segurança:
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— Agora eu não posso ir à favela encontrar lideranças comunitárias ou participar de uma audiência pública aprovada pela Câmara? — questionou.
Histórico de ameaças e participação em programa de proteção
A congressista argumenta que a manutenção da escolta é indispensável. Talíria Petrone é alvo recorrente de ameaças vindas de milicianos e possui investigações em andamento sobre esse tipo de crime. Ela também integra o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.
Em vídeo publicado no Instagram, a parlamentar detalhou a gravidade das intimidações que enfrenta há anos:
— Há uma década sou ameaçada de morte. Já tive que sair por um ano da minha cidade e da minha casa com uma filha pequena por conta de um plano de execução da milícia. Meu endereço e o nome dos meus filhos já foram vazados por grupos supremacistas brancos — disse.
Revogação anterior seguiu a mesma justificativa
Não é a primeira vez que a deputada do PSOL tem a proteção cassada. Em ocasião anterior, Hugo Motta já havia determinado a suspensão da escolta armada com base em relatório da Polícia Legislativa, que concluiu ser inviável garantir a segurança da equipe em locais de risco extremo como o Complexo da Maré. Ainda assim, a parlamentar conseguiu reverter a medida novamente.