Argentina: pesquisas eleitorais favorecem esquerda e erram resultado por mais de 10 pontos
Pesquisas argentinas erraram por mais de 10 pontos e não previram vitória ampla de Javier Milei nas eleições legislativas.
Por ContraFatos 27/10/2025 Atualizado em 27/10/2025
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontro com Cristina Kirchner. - Foto: Ricardo Stuckert
Institutos previam disputa equilibrada, mas resultado consolidou liderança ampla da direita liberal
As eleições de meio de mandato na Argentina não apenas confirmaram a vitória histórica da direita liderada pelo presidente Javier Milei, como também expuseram uma falha expressiva das pesquisas eleitorais. A maioria dos institutos do país projetava uma disputa apertada entre o governo e a oposição peronista, mas o resultado final mostrou uma diferença superior a dez pontos percentuais a favor do La Libertad Avanza, partido de Milei.
As sondagens indicavam que a coalizão Unión por la Patria, ligada ao peronismo, poderia alcançar até 36% dos votos, enquanto o partido governista aparecia com leve vantagem, dentro da margem de erro. No entanto, o pleito revelou uma realidade bem distinta: La Libertad Avanza superou 40%, e os peronistas ficaram em torno de 24%, desmontando as previsões e surpreendendo analistas e veículos de imprensa.
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Erro sistemático e viés político nas pesquisas
Especialistas apontam que o descompasso entre pesquisas e resultados não é um fenômeno isolado. Nos últimos anos, institutos de diferentes países têm apresentado tendência de superestimar o desempenho de candidatos de esquerda, tanto na América do Sul quanto em democracias consolidadas da Europa e dos Estados Unidos.
O padrão tem gerado questionamentos sobre métodos de coleta, amostragem e ponderação estatística, além de suspeitas de viés político nas análises de intenção de voto. Na Argentina, o erro reforçou a crise de credibilidade dos levantamentos eleitorais, que vinham sendo utilizados por campanhas e meios de comunicação para moldar expectativas e estratégias.
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O equívoco dos institutos de pesquisa afetou diretamente a cobertura da imprensa argentina, que previu uma disputa voto a voto. O desempenho real de Milei, contudo, consolidou a força de seu governo e da coalizão de direita, redesenhando o equilíbrio político no país.
A vitória também redefiniu o peso das correntes liberais e conservadoras na Argentina e fragilizou o peronismo, que enfrentará um cenário mais adverso até as eleições presidenciais de 2027.