Senador e governador articulam frente unificada da direita para 2026 e se mobilizam contra possível prisão do ex-presidente
Alerta entre aliados diante de possível prisão
A possibilidade de Jair Bolsonaro (PL) ser preso ainda em 2024 e transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, acendeu um sinal de alerta entre seus aliados. Durante um encontro reservado realizado na sexta-feira, 7, após uma cerimônia no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discutiram estratégias para impedir a prisão do ex-presidente e reorganizar o discurso da direita em defesa de uma anistia aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro de 2023.
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A crescente possibilidade de Jair Bolsonaro ser retirado do cenário político por decisão judicial reforçou entre aliados a urgência de reagir antes das eleições de 2026. O entendimento é que uma eventual prisão comprometeria diretamente o desempenho da direita nas urnas.
Tarcísio e Flávio buscam liderar reorganização conservadora
Hoje, Tarcísio de Freitas é considerado o nome mais competitivo da oposição. Além de liderar pesquisas no campo da direita, mantém diálogo com o centrão e interlocução com esferas institucionais, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Isso o coloca como potencial herdeiro político de Bolsonaro, mesmo com sua afirmação de que disputará a reeleição em São Paulo. No entanto, aliados já admitem que ele poderá mudar de posição caso não surja outro candidato viável contra Lula.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, atua como fiador político do pai, com relações mais pragmáticas junto aos Três Poderes. Embora sua preferência seja disputar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro, o senador pode integrar uma chapa presidencial, caso o nome de Eduardo Bolsonaro não consiga se viabilizar. Flávio já sinalizou que apoiaria a candidatura de Tarcísio ao Planalto, se necessário.
A disputa pelo apoio de Bolsonaro em 2026
Outros nomes do campo conservador também se movimentam nos bastidores. O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), é visto como favorito do centrão e aliado de Tarcísio para compor uma eventual chapa presidencial.
No Congresso, o senador e ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI) segue como pré-candidato a vice-presidente, embora também defenda o nome da ex-ministra Tereza Cristina, caso não seja o escolhido.
Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, antes cotada como vice, deve disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, estratégia considerada relevante para reforçar a oposição ao STF.
Unidade e estratégia contra o Judiciário
Em conversas reservadas, líderes do campo bolsonarista têm defendido a contenção de disputas internas e a disciplina política, com foco na unificação do discurso até o fim de 2024. Um interlocutor próximo de Tarcísio resumiu o momento: “Unir a direita em torno de pautas comuns para vencer as eleições de 2026.”
A avaliação interna é clara: a liberdade de Bolsonaro dependerá da vitória conservadora em 2026. Caso o Partido dos Trabalhadores (PT) vença, o futuro presidente indicará mais três ministros ao STF, o que poderia consolidar um tribunal ainda mais desfavorável ao ex-presidente.
“Preso, Bolsonaro inviabiliza qualquer projeto eleitoral da direita”, afirmou uma fonte ligada à articulação. O grupo entende que a única forma de neutralizar esse risco é fortalecer politicamente o campo conservador antes que decisões judiciais tornem o processo irreversível.
Enquanto isso, Tarcísio adota tom institucional e cauteloso, sem referências diretas à disputa presidencial. Nos bastidores, no entanto, 2026 é visto como ponto de inflexão para a direita brasileira.