Auditoria no Rio de Janeiro revela que até 80% dos comissionados em secretarias eram funcionários fantasmas
Auditoria no governo do Rio de Janeiro identificou até 80% de funcionários fantasmas em secretarias estaduais e gerou mais de 4 mil exonerações
Por ContraFatos 28/06/2026 Atualizado em 28/06/2026
Governo Do Rio De Janeiro
Pente-fino conduzido pela Controladoria-Geral e pelo Gabinete de Segurança Institucional já resultou na exoneração de mais de 4 mil servidores e promete economizar R$ 230 milhões em 2026
Mais de 4 mil servidores comissionados foram desligados do governo do Rio de Janeiro após uma ampla operação de auditoria constatar que parcela expressiva desses profissionais não apresentava qualquer registro de atividade nos órgãos estaduais. O trabalho, iniciado após a posse do governador interino Ricardo Couto, aponta que algumas secretarias chegaram a ter 80% de funcionários fantasmas entre seus quadros comissionados.
Como a investigação foi conduzida
A Controladoria-Geral do Estado e o Gabinete de Segurança Institucional foram os responsáveis pelo levantamento. Os técnicos adotaram uma metodologia baseada no cruzamento de dados: verificaram registros de acesso aos sistemas eletrônicos do governo e também os controles de entrada nos prédios públicos onde cada servidor deveria estar lotado. Quando nenhum vestígio de atividade era encontrado, o comissionado era classificado como funcionário fantasma e encaminhado para exoneração.
Leitura
Ranking das secretarias com maior proporção de irregularidades
Conforme dados divulgados pelo RJ2, a Secretaria de Trabalho e Renda encabeça a lista, com 78% dos comissionados sem qualquer comprovação de trabalho. Logo atrás aparecem:
Esporte e Lazer — 75%
Turismo — 73%
Ciência e Tecnologia — 65%
Agricultura — 65%
Assistência Social — 59%
Casa Civil — 58%
Mesmo a Secretaria de Saúde registrou índice elevado: 46% dos comissionados foram exonerados pelo mesmo motivo.
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O pente-fino abrangeu, nesta primeira fase, 20 órgãos da administração estadual. Segundo o governo fluminense, os desligamentos devem representar uma economia mensal de R$ 16,7 milhões, totalizando cerca de R$ 230 milhões até o encerramento de 2026.
Os cortes tiveram início logo após Ricardo Couto assumir interinamente o Executivo estadual, no fim de março, em decorrência da renúncia de Cláudio Castro (PL). Desde 24 de março, mais de 4 mil servidores comissionados já perderam seus cargos.
Próximos passos das auditorias
O governo informou que os trabalhos de fiscalização prosseguirão nas próximas semanas e serão estendidos a outros órgãos da administração estadual. A operação conta com reforço de técnicos cedidos pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, ampliando a capacidade de análise das equipes envolvidas.
Ricardo Couto determinou uma revisão completa de contratos e nomeações no Executivo fluminense desde que tomou posse, sinalizando que o combate aos funcionários fantasmas será uma marca de sua gestão interina.