Mikhail Mishustin. Russpo Divulgação Kremlin 1 Mikhail Mishustin. Russpo Divulgação Kremlin 1

Aviões russos em Brasília reacendem desconfiança um ano após voo sigiloso

Sequência de pousos de aeronaves do Kremlin e da aviação militar russa levanta questionamentos diplomáticos

A presença de aviões russos no Brasília voltou a provocar dúvidas sobre a condução da política externa brasileira. Entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro, ao menos duas aeronaves de grande porte ligadas ao governo da Rússia e às Forças Aeroespaciais Russas (VKS) pousaram no Aeroporto Internacional da capital, somando seis operações registradas no período.

As movimentações ocorrem cerca de cinco meses depois de um episódio ainda não esclarecido pelo Palácio do Planalto: a passagem de um cargueiro russo sancionado pelos Estados Unidos por Brasília, missão que nunca teve detalhes oficialmente divulgados.

Avião presidencial russo evitou espaço aéreo europeu

A primeira aeronave a chamar atenção foi um Ilyushin Il-96-300, pertencente ao Esquadrão de Voos Especiais de Moscou, responsável pelo transporte de autoridades do Kremlin. O avião evitou o espaço aéreo europeu devido às internacionais impostas à Rússia e realizou escalas no Marrocos e no Senegal antes de chegar ao .

Segundo a Força Aérea Brasileira, o voo teve como finalidade dar suporte à visita do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, prevista para a próxima quinta-feira, dia 5. Mishustin é alvo de sanções econômicas do governo dos Estados Unidos.

Cargueiro militar e previsão de novos pousos

Além do Il-96, um IL-76MD, cargueiro militar das VKS, pousou em Brasília no domingo, 1º de fevereiro, após realizar escala em Recife. Informações do setor de aviação indicam que o governo russo planeja ao menos seis voos distintos na primeira semana de fevereiro.

Entre os modelos previstos estão o gigante Antonov An-124 e aeronaves menos comuns fora da Rússia, como o Tupolev Tu-154, ambos remanescentes da era soviética.

Itamaraty organiza recepção oficial

O Itamaraty confirmou que a presença das aeronaves está ligada à realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia. O encontro será comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, já que o presidente Luiz Inácio da Silva estará em viagem à Bahia.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a delegação russa contará com oito e três vice-ministros. Um dos principais temas da agenda é a ampliação do uso de moedas locais em transações comerciais, pauta que gera desconforto em Washington.

Voo sigiloso de 2025 mantém clima de suspeita

A atual movimentação reacende desconfianças por causa de um episódio ocorrido em agosto de 2025, quando um cargueiro da empresa russa Aviacon Zitotrans, também sancionada pelos Estados Unidos, permaneceu no Brasil antes de seguir para Cuba e Venezuela com carga não revelada.

Na ocasião, autoridades brasileiras confirmaram o pouso, mas não detalharam o conteúdo transportado nem os objetivos da missão, o que alimentou críticas e pedidos de esclarecimento.

Contexto geopolítico e afastamento dos EUA

A aproximação entre Brasília e Moscou ocorre em um momento de pressão dos Estados Unidos sobre países da América Latina para reduzir a influência russa na região. Além do comércio de fertilizantes e carnes, as autoridades devem tratar de cooperação em tecnologia de defesa e do alinhamento político dentro do BRICS.

A presença expressiva de autoridades e aeronaves russas sob sanção internacional em solo brasileiro reforça a percepção de distanciamento da política externa do Brasil em relação às diretrizes defendidas pela sobre a guerra na Ucrânia.


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