Cuidadoras de crianças criam valores padronizados e exigem benefícios em bairro nobre de São Paulo
Um acordo informal entre babás que frequentam a Praça Buenos Aires, em Higienópolis, área nobre da região central de São Paulo, tem agitado grupos de WhatsApp de moradores e pais do bairro. A iniciativa ficou conhecida como a “tabela da babá”, documento no qual cuidadoras definem valores mínimos para serviços fixos e avulsos, além de benefícios obrigatórios.
Quanto custa contratar uma babá no bairro
Segundo a lista compartilhada, uma babá que trabalha de segunda a sexta-feira, com jornada de 8 horas por dia e pernoite na casa dos patrões, deve receber entre R$ 7.000 e R$ 8.000 mensais.
Já para trabalhos avulsos nos fins de semana, os valores variam de R$ 1.000 a R$ 1.200 para entrada na sexta e saída na segunda. Em caso de apenas um dia de serviço, o preço sugerido é de R$ 300 por 12 horas diurnas ou R$ 350 por 12 horas noturnas.
Em feriados, os valores sobem para R$ 350 durante o dia e R$ 400 à noite.
Além do salário, as profissionais exigem vale-transporte, cesta básica de R$ 209 e alimentação adequada no trabalho. Para famílias com mais de uma criança, o custo sugerido aumenta em 50% por filho adicional.
Outros formatos de contratação
A tabela também prevê:
- Babá diária sem dormir na residência: salário entre R$ 3.500 e R$ 4.000;
- Babá noturna (12h de trabalho): de R$ 6.000 a R$ 7.000;
- Babá motorista: de R$ 6.000 a R$ 8.000;
- Babás de recém-nascidos (até 6 meses): de R$ 5.500 a R$ 7.000 por jornada de 10h;
- Trabalho por hora: de R$ 35 a R$ 50, conforme o período:
- Manhã (6h às 12h): R$ 35
- Tarde (12h às 18h): R$ 40
- Noite (18h à meia-noite): R$ 45
- Madrugada (0h às 6h): R$ 50
“Babá é luxo, não ajudante”
A mensagem compartilhada no bairro traz ainda um manifesto das cuidadoras:
“Lembre-se: babá é luxo e não ajudante. Somos profissionais com diplomas, cursos e qualificações. O amor, respeito e reconhecimento pela profissão começa em você. SE VALORIZE!”
Reação no bairro
Nos grupos de moradores, com centenas de participantes, a tabela dividiu opiniões. Alguns pais consideraram os valores “exorbitantes”, enquanto outros reconheceram a tentativa das babás de organizar a categoria e valorizar a profissão em um dos bairros mais caros do país.
Acho caro..colocaria no berçário e depois na escolinha.. qtos anos elas fazem de faculdade?sabem cuidar se o bebê engasga? Quais os cursos que fazem? Elas merecem ganhar simmm mas tem limite nao?
Acho justo. É MTA responsabilidade. E tbm os ricos gastam 1000.00 em uma garrafa de vinho, pq não poderia pagar pra uma babá?