Encontros sob sigilo e interesses do Banco Master
Informações divulgadas anteriormente indicam que Alexandre de Moraes teria procurado Gabriel Galípolo pelo menos quatro vezes para tratar de interesses do Banco Master. À época, a instituição buscava autorização do Banco Central para a venda de ativos ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou barrada pela diretoria da autarquia em setembro do ano passado.
Durante esse período, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o banco controlado por Daniel Vorcaro. Os pagamentos previstos eram de R$ 3,6 milhões por mês, ao longo de três anos, sem especificação pública das causas ou processos relacionados aos serviços prestados.
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Entrar no grupo Pedidos via Lei de Acesso à Informação foram negados
Segundo o jornal, o Banco Central rejeitou cinco solicitações feitas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Os pedidos foram elaborados com apoio da ONG Fiquem Sabendo e buscavam obter dados como listas de reuniões, datas e horários dos contatos entre Moraes e Galípolo.
A autoridade monetária reconheceu que não mantém arquivos sobre o conteúdo das conversas entre ambos no período de março a dezembro de 2025, nem mesmo em caráter sigiloso. Questionamentos semelhantes sobre encontros envolvendo outros temas também receberam resposta negativa.
Justificativas apresentadas pelo Banco Central
Para sustentar a decisão, o BC mencionou a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes pelo governo Trump. Segundo a instituição, esse contexto aumentaria os riscos associados à divulgação de informações sensíveis. A legislação norte-americana, criada para combater terrorismo e violações de direitos humanos, chegou a atingir Viviane Barci de Moraes e uma empresa ligada à família, mas as sanções foram revogadas em dezembro.
Oficialmente, tanto Galípolo quanto Moraes afirmaram que os encontros tiveram como objetivo discutir as restrições financeiras decorrentes da Magnitsky. O Banco Central acrescentou que reuniões entre autoridades de alto nível não são tornadas públicas quando envolvem riscos à segurança, citando um decreto de 2021 que regula a transparência das agendas oficiais.
Reuniões presenciais e outros contatos
Fontes ouvidas relataram que, no final de 2025, Galípolo e Moraes participaram de uma reunião presencial para tratar da crise de liquidez enfrentada pelo Banco Master. O tema também teria sido abordado em conversas telefônicas entre os dois.
Além disso, o BC negou pedidos de informação sobre eventuais interações entre o presidente da instituição e ministros do STF, integrantes do governo Lula, senadores ou deputados durante reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) entre março e dezembro de 2025. A autarquia limitou-se a informar que o colegiado é composto apenas por seus membros indicados, sem detalhar se houve menções a Moraes ou a outros atores políticos.