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Banco do Brasil registra queda de 45% no lucro em 2025

Alta da inadimplência no agronegócio pressiona provisões e reduz rentabilidade para 11,4%

O Banco do encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, desempenho 45,4% inferior ao obtido no ano anterior. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira, 11, e aponta a elevação da inadimplência no setor rural como principal fator para a retração.

O retorno sobre o patrimônio líquido caiu de 21,4% para 11,4% no período, refletindo a piora nos indicadores de crédito.

Apesar da queda expressiva na comparação anual, o resultado superou as estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que projetavam lucro de R$ 19,16 bilhões no acumulado do ano.

No quarto trimestre, a instituição registrou lucro de R$ 5,7 bilhões, avanço de 52% frente aos três meses anteriores e acima da previsão de R$ 4,1 bilhões.

Provisões disparam com crise no campo

O principal impacto veio do aumento nas provisões para devedores duvidosos, que alcançaram R$ 61,947 bilhões em 2025 — alta de 73,5% em relação ao ano anterior.

O crescimento das provisões está ligado à onda de recuperações judiciais envolvendo produtores rurais ao longo do período. O custo de crédito, indicador que representa valores emprestados com baixa expectativa de retorno, totalizou R$ 61,9 bilhões.

A carteira total de empréstimos teve expansão modesta de 2,5%, encerrando o ano em R$ 1,3 trilhão.

Crédito à pessoa física ganha força

Enquanto o segmento corporativo mostrou estagnação, o crédito voltado à pessoa física apresentou desempenho mais robusto.

Os cartões de crédito avançaram 19,6%. Já os empréstimos não consignados cresceram 11,8%, e o consignado teve alta de 8,1%.

Em comunicado, o banco destacou: “O Crédito do Trabalhador consolidou-se como um dos principais vetores de crescimento no consignado em 2025, com um total de mais de R$ 13 bilhões em desembolso em mais de 1,5 milhão de operações”.

Por outro lado, os financiamentos destinados a empresas e ao agronegócio registraram crescimento discreto. As operações com pessoas jurídicas subiram 0,6%, enquanto o crédito ao setor rural avançou 2,1%.

O desempenho mais tímido nesses segmentos sinaliza postura cautelosa da estatal diante do cenário de inadimplência elevada, especialmente no campo.


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