Tesouro americano incluiu presidente colombiano e aliados na “Lista Clinton” por supostos vínculos com o narcotráfico
O setor bancário colombiano iniciou a suspensão e revisão de contas ligadas ao presidente Gustavo Petro, à primeira-dama Verónica Alcocer, ao filho Nicolás Petro e ao ministro do Interior Armando Benedetti, após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções financeiras contra eles por suspeitas de envolvimento com atividades de narcotráfico.
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As medidas decorrem da inclusão dos nomes dos quatro colombianos na chamada “Lista Clinton”, elaborada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão responsável por aplicar sanções econômicas em nome do governo americano. A decisão implica o congelamento de todos os ativos sob jurisdição dos EUA e proíbe qualquer transação financeira com instituições, empresas ou cidadãos norte-americanos.
Reação dos bancos colombianos
Em resposta imediata, as principais instituições financeiras da Colômbia informaram que estão revisando e bloqueando preventivamente contas e produtos bancários associados aos nomes incluídos na lista.
A Associação Bancária da Colômbia (Asobancaria) divulgou um comunicado no qual assegura que o setor “cumprirá rigorosamente as normas internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”, mas ressaltou que “qualquer ação deve respeitar os direitos constitucionais e as leis nacionais vigentes”.
Segundo fontes ouvidas pela Caracol Radio, bancos de grande porte já iniciaram auditorias internas para garantir conformidade com as sanções e evitar punições de instituições correspondentes nos Estados Unidos. O bloqueio total das contas, contudo, dependerá de análises jurídicas e, em alguns casos, de autorização da Superintendência Financeira da Colômbia.
Reação do governo Petro
O presidente Gustavo Petro reagiu com veemência à decisão de Washington. Em pronunciamento publicado em suas redes sociais, classificou as acusações como “falsas e absurdas” e afirmou que não possui ativos financeiros nos EUA.
“Não há contas a congelar. Esta é uma agressão política disfarçada de medida financeira”, declarou o chefe de Estado.
A Presidência da Colômbia anunciou que pretende analisar medidas diplomáticas e legais em resposta ao que chamou de “intromissão indevida nos assuntos internos do país”.
Contexto das sanções
A Lista Clinton, criada pelo Tesouro norte-americano em 1995, é um dos principais instrumentos de combate à lavagem de dinheiro e ao narcotráfico internacional. Pessoas e empresas incluídas nela têm seus bens congelados nos EUA e ficam impedidas de realizar transações com o sistema financeiro global.
A inclusão de um chefe de Estado em exercício é considerada uma medida extrema e sem precedentes recentes na América Latina, podendo gerar tensões diplomáticas entre Bogotá e Washington.