Barroso afirma que Brasil vai “empurrar extremismo para a margem da história” às vésperas de julgamento de Bolsonaro
Barroso afirma que Brasil superará extremismo, em discurso antes do julgamento de Bolsonaro no STF.
Por ContraFatos 01/09/2025 Atualizado em 01/09/2025
Luís Roberto Barroso. Foto: Carlos Moura/SCO-STF)
Presidente do STF fala sobre democracia e polarização na véspera do julgamento de Bolsonaro
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o país está próximo de “empurrar o extremismo para a margem da história”. A declaração foi feita durante um evento na Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro, quando o ministro foi questionado sobre o cenário de polarização no Brasil.
Declarações sobre democracia e extremismo
“Na democracia, a regra é quem ganha leva, quem perde não fica despojado dos seus direitos e pode concorrer”, disse Barroso. Em seguida, acrescentou:
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“O que me preocupa é o extremismo. Acho que, em breve, vamos empurrar o extremismo para a margem da história e teremos uma política em que estarão presentes conservadores, liberais, progressistas, como a vida deve ser.”
O magistrado ressaltou que o país atravessa um período de “tensões”, especialmente devido aos julgamentos relacionados ao 8 de janeiro e à suposta tentativa de golpe de Estado. “Nenhum país julga isso sem algum tipo de tensão. Mas a tensão foi absorvida institucionalmente”, afirmou. Para ele, a democracia brasileira seguiu seu curso “com naturalidade” durante sua presidência no STF.
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Barroso destacou ainda o que considera um dos pontos centrais de sua gestão: a relação entre os Poderes. Segundo ele, foi possível manter uma “relação extremamente harmoniosa com os outros dois Poderes”, apesar das divergências próprias da democracia. “É compreensível que haja uma queixa aqui e outra ali”, ponderou.
As falas do presidente do STF ocorreram na véspera do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus, acusados de envolvimento em tentativa de golpe de Estado. O processo será analisado pela 1ª Turma do STF.
O rito do julgamento seguirá as regras do tribunal:
O relator Alexandre de Moraes apresentará o relatório do caso, com possibilidade de complementos do ministro revisor.
Testemunhas previamente listadas podem ser ouvidas.
A acusação e a defesa terão, cada uma, até uma hora para apresentar seus argumentos, prazo que pode ser prorrogado.
Encerrados os debates, os ministros votam. A decisão de condenação ou absolvição exige maioria simples — pelo menos três votos favoráveis.