Dirigente sindical é vice-presidente do Sindnapi, entidade alvo de operação da PF que teve R$ 389 milhões bloqueados por ordem do STF
Parlamentares da base do governo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o roubo aos aposentados e pensionistas do INSS votaram contra a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada na sessão desta quinta-feira (16).
O requerimento para ouvir Frei Chico foi rejeitado por 19 votos a 11, em meio a disputas políticas que marcam as reuniões da comissão.
Envolvimento de Frei Chico e atuação do Sindnapi
Frei Chico ocupa o cargo de vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entidade investigada pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de irregularidades em cobranças indevidas de aposentados e pensionistas. O sindicato foi um dos alvos da operação da PF deflagrada na semana passada.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na terça-feira (14) o bloqueio de aproximadamente R$ 390 milhões em bens e valores do Sindnapi, após identificar indícios de uso irregular de recursos de contribuições associativas.
Discussões na CPMI e novos requerimentos
Durante a sessão, os parlamentares também analisaram outros pedidos relacionados à investigação. Um deles propunha a prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como “Milton Cavalo”, atual presidente do Sindnapi, que foi ouvido na semana passada pela comissão.
Milton compareceu ao colegiado, mas optou por permanecer em silêncio, após decisão judicial que lhe concedeu habeas corpus — medida autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. Ele negou que Frei Chico tenha qualquer papel na gestão administrativa da entidade.
Outro requerimento, que previa a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), foi retirado de pauta após acordo entre os membros da comissão.
Próximos depoimentos e andamento das investigações
Ainda nesta quinta-feira, a CPMI deve ouvir o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Este último foi preso em flagrante durante sua oitiva na comissão, após contradições em seu depoimento.
A CPMI, criada para apurar um esquema de cobranças irregulares a beneficiários do INSS, estima que as fraudes possam ter movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Parlamentares da oposição criticaram a blindagem política ao irmão do presidente, enquanto governistas afirmaram que não há elementos concretos que justifiquem a convocação de Frei Chico neste momento.