Números acumulados revelam tendência de deterioração
O problema não se restringe a um único mês. De acordo com o jornal Valor Econômico, no acumulado de janeiro a julho, as importações de calçados totalizaram US$ 373 milhões — crescimento de aproximadamente 10% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Na direção oposta, as exportações brasileiras encolheram 18% no período.
Somente em julho, o Brasil embarcou 6,28 milhões de pares ao exterior, o que representa uma queda de 12,5% frente ao mesmo mês do ano anterior. Já as importações atingiram cerca de 4 milhões de pares no mês.
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Entrar no grupo Concorrência asiática pressiona a indústria nacional
O avanço dos produtos vindos da Ásia é apontado como uma das principais causas da deterioração da balança comercial calçadista. Países como China, Vietnã e Indonésia conseguem oferecer calçados a preços significativamente mais baixos, o que corrói a competitividade dos fabricantes brasileiros tanto no mercado interno quanto no externo.
Além da pressão asiática, o setor enfrenta obstáculos relevantes nos Estados Unidos, um dos destinos mais importantes para os calçados brasileiros. Tarifas impostas sobre os produtos nacionais têm reduzido a competitividade das exportações destinadas ao mercado norte-americano.
Abicalçados cobra medidas de contenção
Diante desse cenário, a Abicalçados tem defendido a adoção de medidas para frear o crescimento das importações, incluindo a implementação de cotas. A entidade alerta que a perda simultânea de espaço no mercado externo e o avanço de produtos importados dentro do próprio Brasil criam uma pressão dupla sobre a indústria.
As consequências potenciais são amplas: queda na produção, ameaça a empregos e retração nos investimentos do setor calçadista. Para uma indústria que por décadas foi referência exportadora, o déficit registrado em julho funciona como um sinal de alerta sobre a necessidade urgente de políticas de proteção e competitividade.