Caderneta da Gestante de Lula vira alvo de revolta por aborto e linguagem neutra
Nova Caderneta da Gestante do governo Lula provoca polêmica ao incluir referências ao aborto e adotar linguagem neutra de gênero no material oficial
Por ContraFatos 20/05/2026 Atualizado em 20/05/2026
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante lançamento da Caderneta da Gestante, em maio deste ano | Foto: Rafael Nascimento/MS
Material do Ministério da Saúde inclui expressões como ‘pessoas que gestam’ e provoca reações de grupos conservadores e movimentos pró-vida
Grupos conservadores e movimentos pró-vida intensificaram as críticas contra a nova Caderneta da Gestante, publicação do Ministério da Saúde que foi lançada em versão física e digital na terça-feira 12 de maio. O principal alvo das objeções são referências ao aborto presentes no documento e o uso de termos considerados alinhados a pautas progressistas, como “pessoa gestante” e “pessoas que gestam”.
O que contém o material lançado pelo governo Lula
Elaborada para auxiliar no acompanhamento do pré-natal, do parto e do pós-parto, a caderneta reúne orientações sobre temas variados: saúde mental, violência obstétrica, luto materno e direitos das gestantes. A proposta oficial é concentrar informações relevantes em um único documento acessível às usuárias do Sistema Único de Saúde.
Leitura
Um dos aspectos que mais chamaram atenção foi a inclusão de perguntas sobre abortos anteriores no histórico clínico das pacientes. Em determinados trechos, o material adota expressões neutras em relação a gênero, o que acendeu o debate público sobre os propósitos da publicação.
Repercussão política e posição dos críticos
De acordo com reportagem do jornal Gazeta do Povo, opositores à abordagem adotada pelo governo Lula da Silva afirmam que o documento segue uma linguagem sintonizada com organismos internacionais ligados à saúde reprodutiva e com movimentos progressistas. Parlamentares conservadores e ativistas pró-vida alegam que o texto relativiza a maternidade e contribui para normalizar pautas ligadas à descriminalização do aborto.
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Na outra ponta do debate, integrantes do governo e especialistas em saúde pública defendem que a linguagem escolhida tem o objetivo de ampliar o acolhimento nas políticas públicas e garantir um atendimento mais inclusivo dentro do SUS. O Ministério da Saúde, chefiado pelo ministro Alexandre Padilha, sustenta ainda que perguntas sobre abortos anteriores integram o histórico médico tradicionalmente utilizado no acompanhamento pré-natal — e que, portanto, não representam uma novidade.
O lançamento da Caderneta da Gestante foi conduzido por Alexandre Padilha em evento realizado em maio deste ano, reforçando a política de atenção à saúde materno-infantil promovida pela atual gestão federal. A polêmica, porém, evidencia a profunda divisão entre setores da sociedade brasileira sobre temas ligados a gênero e direitos reprodutivos.