Caixão rachado durante transporte de corpo pode ser a origem do novo surto de ebola no Congo
Caixão rachado durante transporte de corpo de pastor no Congo é investigado como possível origem do surto de ebola com 635 casos
Por ContraFatos 12/06/2026 Atualizado em 12/06/2026
Epidemia de ebola já causou mais de 100 mortes na República Democrática do Congo Reprodução/YouTube/Jornal da Record
Funeral de pastor em Ituri é investigado como evento de superpropagação que já soma 635 casos e 127 mortes
Um episódio ocorrido durante o transporte de um corpo por estradas precárias no leste da República Democrática do Congo está no centro de uma investigação epidemiológica de grandes proporções. Autoridades de saúde tentam determinar se o funeral do pastor Paluku Makundi Denis, de 44 anos, foi o ponto de partida de um surto de ebola que já contabiliza pelo menos 635 casos confirmados e ao menos 127 óbitos.
Trajeto de três horas danificou o caixão e expôs familiares ao vírus
O corpo do religioso foi levado de Bunia até Mongbwalu, um percurso de aproximadamente três horas por estradas de terra em péssimas condições, conforme relatado pela Reuters. Familiares seguiram dentro do mesmo veículo, ao lado da urna funerária. Ao final da viagem, o caixão estava rachado e visivelmente danificado.
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Revoltados com o estado da urna, parentes optaram por adquirir um novo caixão e realizar a transferência do corpo antes do sepultamento. Esse contato direto com os restos mortais passou a ser examinado com atenção pelos investigadores. Cadáveres de vítimas de ebola são reconhecidamente uma das fontes mais perigosas de transmissão do vírus.
Mais de 80 pessoas participaram das cerimônias fúnebres
Líderes comunitários locais informaram à agência de notícias que mais de 80 pessoas estiveram presentes nas cerimônias de despedida do pastor. Nos dias que se seguiram ao enterro, moradores da região passaram a apresentar sintomas típicos da doença: febre, vômitos, diarreia e hemorragias.
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Autoridades locais registraram quase 50 mortes nas semanas seguintes ao funeral. Vários desses casos se concentraram dentro de núcleos familiares, o que chamou a atenção dos epidemiologistas e reforçou a hipótese de que o evento funcionou como um episódio de superpropagação.
Pastor morreu antes do surto ser reconhecido e nunca foi testado
Paluku Makundi Denis faleceu antes que o surto fosse oficialmente identificado pelas autoridades sanitárias. O religioso jamais foi submetido a exames para detecção do vírus, o que torna a investigação retrospectiva ainda mais complexa. Segundo a Reuters, o caso dele é atualmente o mais antigo sob análise pelos investigadores.
Variante Bundibugyo pode ter circulado silenciosamente por meses
Especialistas trabalham com a hipótese de que a variante Bundibugyo do vírus ebola tenha se espalhado sem ser detectada por meses na região de Mongbwalu, antes de ser oficialmente identificada em maio. Documentos da área de saúde sustentam essa possibilidade, indicando que a infecção pode ter permanecido oculta durante um longo período.
Família do pastor enfrenta acusações e hostilidade da comunidade
Enquanto as investigações prosseguem, os familiares do pastor relatam que passaram a ser alvo de acusações por parte de moradores locais, que os responsabilizam pela disseminação da doença. Conforme noticiado pela Reuters, Pascal Kibali, pai de Makundi, afirma que sua família também foi vítima da tragédia. Segundo ele, o sofrimento causado pela perda do filho foi intensificado pelos rumores que emergiram após o funeral.
Epidemia de ebola já causou mais de 100 mortes na República Democrática do Congo Reprodução/YouTube/Jornal da Record