‘Caos no Brasil’: mídia internacional destaca cancelamento do debate da Globo antes do primeiro turno
Veículos como Reuters, Al Jazeera e El Mundo repercutiram o cancelamento do debate da TV Globo após decisões judiciais do TSE e STF
Por ContraFatos 02/10/2026 Atualizado em 02/10/2026
O Berlingske, tradicional veículo dinamarquês, também produziu matéria sobre o debate — Foto: Reprodução
Veículos de vários países repercutiram a decisão da emissora, que alegou insegurança jurídica após interferências do TSE e do STF nas regras do encontro eleitoral
O cancelamento do debate da TV Globo, na noite da quinta-feira (1º), ganhou ampla repercussão na imprensa internacional. Jornais, agências de notícias e portais de diversos continentes publicaram matérias sobre o episódio, classificado pelo espanhol El Mundo como um “caos no Brasil” às vésperas do primeiro turno.
O que motivou o cancelamento
Pouco antes do horário previsto para o início do debate, a Globo recebeu duas intimações judiciais. A primeira foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendendo a um pedido da coligação que apoia a candidatura de Lula (PT) à Presidência da República. A segunda decisão partiu do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e respondia a um requerimento do partido Solidariedade sobre a participação de Renan Santos, do Missão.
Leitura
A ata com as regras do encontro havia sido assinada por todos os partidos, incluindo o PT. O documento previa que, caso um candidato não comparecesse, seu púlpito ficaria vazio no cenário, identificado por uma placa. Também estava previsto que, em uma das rodadas de tema livre, os presentes que desejassem poderiam formular em trinta segundos a pergunta que fariam ao ausente.
Na avaliação da emissora, as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate geraram insegurança jurídica e configuraram uma interferência indevida na liberdade de imprensa para organizar encontros eleitorais. A TV Globo ressaltou sua longa tradição na promoção de debates e reafirmou seu compromisso com a democracia e a discussão de ideias e projetos para o país.
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A confirmação da ausência do candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi o gatilho final para o cancelamento. Lula (PT) já havia comunicado previamente que não participaria. Ambos figuram entre os mais bem colocados nas pesquisas eleitorais recentes.
Em vez de ir ao encontro com os demais concorrentes, Lula optou por participar de um podcast popular com milhões de inscritos no YouTube. Já Flávio Bolsonaro acusou o TSE de afetar a liberdade de imprensa ao alterar as regras pré-estabelecidas do embate.
Repercussão na imprensa mundial
Reuters
A agência Reuters foi uma das primeiras a noticiar o fato. No título, o veículo mencionou a ausência prévia de Lula e a desistência de Flávio Bolsonaro. A matéria foi replicada por veículos de países como Itália e França.
Al Jazeera
O site do canal Al Jazeera afirmou que o presidente brasileiro e o candidato da oposição “ignoraram” o último debate e “recusaram a oportunidade” de discutir antes do primeiro turno. O portal destacou a estratégia de Lula ao preferir o podcast e a reação de Bolsonaro.
“O candidato de direita se referia a uma decisão que impedia a emissora responsável pela transmissão do debate de manter o assento vazio do presidente Lula no palco”, escreveu o veículo.
El Mundo
O jornal espanhol El Mundo usou a expressão “caos no Brasil” para descrever o cenário. Além de detalhar as alegações da TV Globo sobre interferência judicial na liberdade de imprensa, o veículo trouxe a reação crítica de candidatos confirmados no encontro, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). O site também reportou que, no mesmo dia, a revista “Piauí” revelou a organização, pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de festas sexuais para políticos, magistrados e outros “homens poderosos”.
AFP
A agência AFP igualmente relatou que Lula e Flávio “ignoraram” o debate. Destacou que os dois principais candidatos à Presidência “intensificaram as táticas sujas na reta final da campanha polarizada”, citando como exemplo “uma acirrada discussão” sobre a santa padroeira do Brasil, envolvendo um projeto arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar esse título da Nossa Senhora.
“Alguns comentaristas interpretaram a decisão do presidente de faltar ao debate final como uma tentativa de evitar críticas de outros participantes que não são de esquerda. Mas o programa foi cancelado depois que Bolsonaro também desistiu, acusando o tribunal eleitoral de censura após este proibir que o programa deixasse um púlpito vazio no estúdio para representar Lula. Os participantes também foram proibidos de direcionar seu tempo de fala para o espaço vazio”, contou a AFP.
El Mundo repercute cancelamento de debate no Brasil — Foto: Reprodução
CNN em espanhol, EFE, El Tiempo e El Comercio
A CNN em espanhol também abordou o caso, descrevendo a insegurança jurídica por trás da decisão. A agência EFE, o jornal colombiano El Tiempo e o periódico peruano El Comercio fizeram o mesmo. “Essa seria a última oportunidade para os eleitores ouvirem as propostas dos principais candidatos à Presidência antes das eleições”, destacou a agência espanhola.
O Berlingske, tradicional veículo dinamarquês, também produziu matéria sobre o debate — Foto: Reprodução
SwissInfo e Berlingske
O portal suíço SwissInfo, um dos principais veículos do país, classificou o episódio como um caso de “interferência indevida”, referindo-se às decisões do Judiciário brasileiro que determinaram mudanças nas regras do debate. Na Dinamarca, o Berlingske, um dos mais tradicionais jornais do país, também publicou sobre o cancelamento, atrelando como fatores decisivos as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro.