Convite partiu da presidência do órgão em novembro de 2023; empresário não compareceu
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, recebeu um convite para reunião oficial no INSS em novembro de 2023, período em que a Polícia Federal (PF) já investigava seu envolvimento em um esquema de fraudes na autarquia.
O encontro foi solicitado pelo então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, com o objetivo de discutir supostas medidas de combate a irregularidades nos descontos em benefícios. A informação consta em documentos analisados pela CPI do INSS.
Convite oficial e ausência de Antunes
Em 17 de novembro de 2023, a secretaria de Stefanutto enviou e-mails a presidentes de associações e também a Antunes, convocando-os para reunião presencial em Brasília. A mensagem, revelada pelo jornal O Globo, dizia que o presidente do INSS os convidava para tratar de “tema de interesse de todas as entidades”.
Apesar do convite, Antunes não compareceu. Em depoimento à CPMI, o empresário negou ter participado de encontros no INSS, afirmando que só esteve em uma unidade da autarquia nos anos 1980, quando era office boy.
Defesa do ex-presidente do INSS
Os advogados de Stefanutto, afastado judicialmente e depois demitido em abril de 2024, alegaram que Antunes teria sido incluído “provavelmente” por ser visto como representante de entidade. Sustentaram ainda que convites em massa para reuniões costumam ser enviados sem checagem individual.
Segundo a defesa, a intenção era discutir regras mais rígidas, incluindo a implantação de biometria obrigatória para autorizar descontos, medida que só foi implementada integralmente quase dois anos depois, quando o escândalo já havia estourado.
Continuidade das fraudes
Apesar da reunião, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que, em 2024, o INSS manteve exceções que permitiram a continuidade de descontos irregulares, contrariando normas publicadas oficialmente.
Um relatório da PF afirma que a direção da autarquia cedeu a pressões de entidades e flexibilizou as exigências técnicas, o que resultou em prejuízos aos beneficiários.
Supostas propinas
As investigações indicam ainda que Antunes teria pago propina a dirigentes do INSS para garantir a validação de acordos de cooperação técnica que serviam de base ao esquema. Uma de suas empresas teria transferido R$ 140 mil, em duas operações, para a esposa de um diretor do órgão.