O endividamento dos consumidores, que reduz o poder de compra, e as despesas financeiras elevadas são fatores que agravam o cenário para a companhia.
Demissões em ritmo acelerado
Das demissões realizadas, aproximadamente 600 funcionários foram desligados na quinta-feira. Para sexta-feira, a previsão era de mais 1,3 mil a 1,4 mil cortes, segundo duas fontes ouvidas pela reportagem. O total representa cerca de 6,7% do quadro de funcionários da varejista. Uma terceira fonte estima que o número de desligamentos possa alcançar 3 mil.
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Entrar no grupo A Casas Bahia ainda não se manifestou oficialmente sobre os cortes.
Redução inédita na rede física
O fechamento de 298 unidades equivale a 28,7% das pouco mais de mil lojas que a rede mantinha no país. Trata-se de uma das maiores reduções feitas de uma só vez pela empresa nos últimos anos. Em gestões anteriores, os cortes costumavam ser distribuídos ao longo do tempo, na faixa de 20 a 30 unidades por ano.
Quantas lojas a Casas Bahia tinha antes?
A varejista encerrou 2025 com 1.042 lojas, ante 1.064 no ano anterior. Em 2023, as redes Casas Bahia e Ponto Frio somavam 1.078 unidades. Nos 12 meses até março, a companhia havia fechado apenas 26 lojas — 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.
No balanço do primeiro trimestre, a empresa afirmou que acompanha o desempenho de cada loja e centro de distribuição e encerra operações que não geram valor.
Recuperação extrajudicial e dívida
Em 2024, a Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial para reorganizar sua estrutura de capital. O processo foi concluído após acordo com bancos. No primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida diminuiu, principalmente por conta da conversão de dívidas de credores em ações da empresa. Apesar dessa redução, a varejista segue registrando perdas.
Plano de redução de custos será detalhado ao mercado
O fechamento das lojas e as demissões integram um plano de redução de despesas que a empresa deve apresentar ao mercado nos próximos dias. A medida, entretanto, gera custos no curto prazo, sobretudo com rescisões e encargos da reestruturação. A expectativa é que os cortes tragam alívio financeiro no médio e longo prazo.
Segundo o Valor, a companhia também vem buscando melhorar seu ciclo financeiro por meio do adiamento de pagamentos a lojistas do marketplace e da negociação de prazos maiores com fornecedores da indústria.
A Casas Bahia adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O balanço, previsto inicialmente para quarta-feira (12), será apresentado nesta sexta-feira (14). A teleconferência com analistas está marcada para segunda-feira (17).
Vendas digitais puxam receita para cima
Apesar do cenário adverso, a receita bruta consolidada da Casas Bahia cresceu 6,4% no primeiro trimestre, alcançando R$ 8,8 bilhões. O destaque ficou por conta do comércio digital: as vendas de produtos próprios em plataformas online cresceram 26% no início do ano. Parte dessas transações é realizada pelo Mercado Livre.
Por outro lado, a receita do marketplace caiu 0,6%, e as lojas físicas registraram recuo de 1,8%. A margem bruta permaneceu estável em 30,3%.
A redução da rede física e do quadro de funcionários faz parte da estratégia da Casas Bahia para diminuir despesas, melhorar a geração de caixa e buscar o retorno à lucratividade.