Caso Master: laudos e imagens da PF revelam como Sicário cometeu suicídio na cela
Documentos liberados pelo STF detalham com laudos e imagens o suicídio de Sicário na carceragem da PF em Minas Gerais
Por ContraFatos 16/09/2026 Atualizado em 16/09/2026
As últimas horas de Sicário antes do suicídio Reprodução/ Metrópoles
Documentos sigilosos liberados pelo STF detalham as circunstâncias da morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, preso na Operação Compliance Zero
Os detalhes sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, vieram à tona após o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso. O material confirma a versão já divulgada anteriormente: ele morreu por enforcamento na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais, em março de 2026.
Quem era Sicário e por que foi preso
Apontado pela PF como chefe da milícia particular do banqueiro Daniel Vorcaro, Sicário caiu na terceira fase da Operação Compliance Zero, voltada a investigar fraudes ligadas ao Banco Master. Sua prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça e aconteceu em 4 de março, na residência dele em Belo Horizonte.
Leitura
Conforme a investigação, ele liderava a chamada “Turma”, grupo que teria obtido informações sigilosas para Vorcaro e ameaçado adversários do banqueiro.
166 frames de câmeras e 17 laudos integram o processo
Apesar de não conter vídeos, o processo reúne 166 frames extraídos de quatro câmeras do circuito interno da PF, que registraram os acontecimentos daquele dia. Além disso, constam 17 laudos — entre eles perícias toxicológicas e análises dos celulares de agentes que mantiveram contato com Sicário.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Uma sequência de oito imagens das câmeras de segurança reconstitui a dinâmica da ação, segundo consta nos autos.
Laudos concluem que Sicário agiu sozinho
Um dos laudos é categórico ao afirmar que Sicário “agiu sozinho em seu próprio enforcamento” e que “não se identificam ocorrências de cenas que comprovem instigação, induzimento ou auxílio material” para a prática do ato.
O material técnico também registra a existência de três pontos cegos nas câmeras da unidade da PF. Contudo, segundo os documentos, nenhum deles interfere na área onde o enforcamento aconteceu.
Tentativas de contato com a família antes da morte
Depois de chegar à cela, Sicário utilizou o celular de um dos agentes da PF — autorizado para esse fim — e tentou falar com a mãe e a irmã 18 vezes, horas antes de cometer o ato.
A primeira imagem dele na sede da Polícia Federal foi registrada às 8h34, momento em que deixou a parte traseira de uma viatura policial. Na sequência, as câmeras mostram os procedimentos realizados pelos agentes, incluindo revista para verificar se ele portava pulseiras, relógios ou cordões. Hastes da gola da camisa também foram retiradas.
Suicídio aconteceu após encontro com advogados
Pouco antes das 12h, Sicário se reuniu com os advogados Hermes Vilchez Guerrero e Robson Lucas da Silva em uma sala no quarto andar da sede da PF.
Às 15h21, após pedir para ir ao banheiro, ele cometeu suicídio. As imagens das câmeras confirmam que agiu sozinho, de acordo com o material do processo. Um dos agentes o encontrou às 15h39.
As últimas horas de Sicário antes do suicídio Reprodução/ Metrópoles
As últimas horas de Sicário antes do suicídio Reprodução/ Metrópoles
As últimas horas de Sicário antes do suicídio Reprodução/ Metrópoles
Internação e morte encefálica
Sicário foi socorrido por uma equipe do Samu e levado ao Hospital João XXIII, onde permaneceu internado até 6 de março. Nessa data, a equipe médica atestou a morte encefálica.