Cerco a apoiadora de Lula! Operação mira Deolane e Marcola, chefão do PCC
Operação Vérnix prendeu Deolane Bezerra e expediu novo mandado contra Marcola do PCC com bloqueio superior a R$ 327 milhões
Por ContraFatos 21/05/2026 Atualizado em 21/05/2026
Deolane, presa pela polícia civil em setembro de 2024, posa com Lula e Janja (Foto: Ricardo Stuckert)
MPSP aponta elo entre influenciadora aliada de Lula e família do líder do Primeiro Comando da Capital em esquema de lavagem de dinheiro
A Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), mirou simultaneamente a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra e o líder nacional da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Contra o traficante, considerado um dos criminosos mais perigosos do país, foi expedido um novo mandado de prisão preventiva. Ele já está detido desde 1999 e cumpre penas que ultrapassam 300 anos na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do complexo da Papuda, para onde foi transferido em janeiro de 2023 após passagens por diversos presídios.
Conexão entre Deolane e a família de Marcola revelada em celular apreendido
As evidências que vinculam Deolane Bezerra ao núcleo do PCC foram descobertas a partir de um aparelho celular apreendido durante a Operação Lado a Lado. No dispositivo, investigadores encontraram conversas entre a influenciadora e parentes de Marcola. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa Deolane de atuar em crimes junto à família do chefão da facção e operadores financeiros da organização criminosa.
Leitura
Seis mandados de prisão e bloqueios superiores a R$ 327 milhões
No total, a operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e determinou o bloqueio de valores que superam R$ 327 milhões, conforme medidas cautelares solicitadas pelo MPSP e pela Polícia Civil de São Paulo. Além disso, foram sequestrados 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis vinculados aos investigados.
Os outros alvos da Operação Vérnix
Além de Deolane e Marcola, a operação atingiu outros nomes ligados à estrutura financeira da facção:
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro, preso nesta quinta-feira;
Alejandro Camacho, irmão de Marcola, já preso em penitenciária federal;
Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, considerada foragida e procurada na Bolívia, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol;
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, considerado foragido e procurado em Madri, com nome também incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Desarticulação do esquema financeiro da facção
O propósito central da Operação Vérnix é desmontar o complexo esquema de lavagem de capitais que sustenta a atuação do PCC, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. A meta é interromper o fluxo de dinheiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que alimenta a facção.
“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relatou a polícia judiciária paulista.
Proximidade com Lula, mas sem evidências de envolvimento do presidente
Deolane Bezerra, que já havia sido presa pela Polícia Civil em setembro de 2024, é considerada aliada do presidente Lula (PT). Antes da primeira detenção, a influenciadora participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade. No entanto, não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos a Deolane.
Defesa de Deolane se pronuncia contra acusações
A advogada e irmã de Deolane, Daniele Bezerra, manifestou-se publicamente em defesa da influenciadora:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.”
Deolane, presa pela polícia civil em setembro de 2024, posa com Lula e Janja (Foto: Ricardo Stuckert)
“Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave.”
“Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.”
“Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.”