“Essa descoberta pode levar a uma melhor taxa de sobrevivência caso os tumores sejam identificados ainda no início”, afirmou a pesquisadora principal, Dra. Marcia Irene Canto, professora de medicina e oncologia da Universidade Johns Hopkins.
Por que o câncer pancreático é tão letal?
O pâncreas fica profundamente localizado atrás do estômago e atua tanto na digestão quanto no controle do açúcar no sangue, produzindo enzimas e hormônios como a insulina.
Segundo a Sociedade Americana do Câncer (ACS), esse tipo de câncer representa cerca de 3% dos casos nos EUA, mas responde por 8% das mortes, em grande parte porque costuma ser diagnosticado tarde.
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Entrar no grupo As taxas de sobrevivência em cinco anos variam entre 3% e 16%, números que refletem a dificuldade de identificar tumores iniciais, que raramente aparecem em exames físicos de rotina.
O estudo: 641 pessoas monitoradas
A pesquisa analisou 641 indivíduos com alto risco para câncer de pâncreas, seja por histórico familiar direto ou predisposição genética. Eles passaram por ultrassonografias e ressonâncias magnéticas.
O alargamento do ducto pancreático foi observado em 97 participantes. A partir dos dados, os pesquisadores concluíram que pessoas com essa alteração apresentavam:
- 2,6 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de pâncreas;
- risco ainda maior quando havia três ou mais cistos pancreáticos associados.
Para Canto, reconhecer essa alteração em exames abre margem para ações rápidas:
“A intervenção pode ser cirurgia ou acompanhamento frequente por imagem. Mesmo com tecnologia avançada, tumores iniciais podem não ser visíveis, embora já provoquem mudanças estruturais.”
Ela ainda destacou que o sinal pode aparecer em exames pedidos por outros motivos, como avaliação de dor abdominal ou investigação de cálculos renais:
“Profissionais de saúde precisam ficar atentos, pois é algo que deve ser investigado imediatamente.”
IA deve ajudar na próxima etapa
Como próximo passo, a equipe pretende treinar sistemas de inteligência artificial para analisar imagens do pâncreas e aprimorar as previsões de risco, ampliando a capacidade de identificar alterações discretas antes que evoluam para tumores.