Governador reage a fala de ministro de Lula e defende ação que deixou 121 mortos nas comunidades da Penha e do Alemão
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), rebateu neste sábado (8) as declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e o chamou de “paspalhão” durante participação na 56ª Convenção da Confederação Israelita do Brasil (Conib), em São Paulo.
A resposta ocorreu poucas horas depois de Boulos afirmar que Castro “prefere fazer demagogia com sangue”, em referência à megaoperação policial realizada no fim de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 117 criminosos mortos e quatro policiais.
“Esse é um paspalhão. Vamos embora, próximo”, disse o governador fluminense a jornalistas, evitando estender o comentário.
Castro defende a operação
Durante o evento, Cláudio Castro defendeu a legitimidade da ação policial, afirmando que a operação marcou o início de um movimento contra o crime organizado.
“O que aconteceu no Rio foi o início de um movimento. Um movimento onde os cidadãos desse Estado e do Brasil todo não aguentam mais essa criminalidade”, declarou.
O governo do Rio também protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma defesa formal da legalidade da Operação Contenção, realizada em 28 de outubro, alegando que o uso da força foi “proporcional e necessário” diante da ameaça imposta pelo Comando Vermelho.
O documento foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator temporário da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. No texto, Castro sustenta que a intervenção ocorreu “dentro dos parâmetros legais e constitucionais”.
Mesmo assim, um inquérito foi instaurado para apurar a remoção de corpos antes da chegada da perícia, o que pode ter comprometido a preservação da cena do crime.
Moraes determinou medidas de preservação das provas e documentação integral dos elementos relacionados à operação, atendendo a pedido da Defensoria Pública da União (DPU).
Boulos acusa governadores de demagogia e repressão
Mais cedo, durante o lançamento do programa Governo na Rua, em São Paulo, Boulos criticou as políticas de segurança de Cláudio Castro e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador paulista.
“O governador do Rio prefere fazer demagogia com sangue, tratar todo mundo da comunidade como se fosse bandido. Aliás, essa é a mesma visão do governador Tarcísio de Freitas e de muitos governadores bolsonaristas”, disse o ministro.
Ele também respondeu a críticas de que a esquerda teria se afastado das periferias.
“A esquerda não perdeu conexão com a sociedade, tanto é que ganhou a última eleição com o presidente Lula com votos populares. Ele venceu com ampla margem entre quem ganha até dois salários mínimos, que é o povo das periferias”, completou.