A comparação com o que ocorreu no governo anterior é reveladora. Em dezembro de 2021, a gestão de Jair Bolsonaro amargava 53% de avaliação ruim ou péssima e apenas 22% de ótima ou boa. Antes do primeiro turno de 2022, porém, o então presidente havia elevado sua aprovação para 38%, praticamente empatada com a reprovação de 39%. Bolsonaro ganhou 16 pontos percentuais de aprovação no período e reduziu a rejeição em catorze pontos — um salto expressivo, viabilizado por um pacote bilionário de bondades.
A regra, historicamente, é a popularidade do governante crescer a passos largos em ano eleitoral. Com Lula, no entanto, parece não existir mágica capaz de lustrar a imagem do presidente.
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Entrar no grupo Fadiga de material e falta de projeto
No entorno de Lula, muitos concordam com o diagnóstico de que o presidente sofre de fadiga de material. Suas propostas são percebidas como ultrapassadas e sua imagem está desgastada depois de três mandatos. Assessores reconhecem que uma fatia considerável do eleitorado simplesmente se cansou dele.
E há um agravante: mesmo que pudesse gastar livremente, Lula não conseguiria reverter essa situação. O motivo é simples — ele não tem um projeto claro nem definiu um rumo a ser seguido. Sem direção, ninguém sabe o que fazer. A campanha vive de improvisos e sobressaltos.
Agenda negativa domina o noticiário
Em função do cargo, presidentes da República costumam pautar o debate público, o que representa uma enorme vantagem no embate político. Lula, contudo, tem fracassado nessa tarefa. Ele já não possui a capacidade de mobilização de outrora e não consegue transformar iniciativas que considera estratégicas em agendas positivas de ampla repercussão.
Em vez de protagonizar o noticiário, o presidente vive a reboque dos fatos. Algumas de suas medidas — como uma nova rodada de renegociação das dívidas das famílias — chegaram a ter efeito positivo, porém efêmero. Rapidamente cederam espaço a problemas antigos: a reclamação com o custo de vida, as suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e a criminalidade.
O fantasma da derrota no segundo turno
Embora Lula seja reconhecidamente otimista, ele nunca achou que teria vida fácil nesta disputa. A força do antipetismo e o alto nível de rejeição ao mandatário prenunciavam desde sempre um embate acirrado, nos moldes de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual — diferença de 2,1 milhões de votos.
Depois de sonhar com uma improvável vitória no primeiro turno, os governistas trabalham cada vez mais com a possibilidade concreta de uma derrota no segundo turno. A preocupação só não é maior porque, segundo as sondagens atuais, o adversário na rodada final seria Flávio Bolsonaro, que enfrenta desafios semelhantes aos de Lula — da rejeição estratosférica à mais completa falta de ideias.