Ao tentar inserir essas frases cristãs em inglês, o mecanismo retornava a seguinte mensagem de erro: “O nome ou frase que você enviou não é permitido. Nomes e frases podem não ser permitidos se pertencerem a uma empresa, organização, celebridade, figura pública, escola, equipe ou outra marca registrada, forem de natureza religiosa ou política, ou puderem ser considerados inadequados ou impróprios por outros motivos”.
O duplo padrão que escandalizou o público
O que tornou a situação particularmente revoltante para milhões de consumidores cristãos foi a constatação de que o filtro operava de forma flagrantemente seletiva. Enquanto qualquer menção positiva a Jesus ou a Deus era vetada, palavras e expressões diametralmente opostas passavam sem nenhuma restrição.
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Entrar no grupo O sistema da Coca-Cola aceitava normalmente frases como “God is Dead” [Deus está morto], “Satan is Good” [Satanás é bom], “The Devil is King” [O Diabo é rei], “Jesus is Evil” [Jesus é mal] e “Jesus is bad” [Jesus é ruim]. Difícil imaginar que se trate de mero acidente algorítmico quando a seletividade é tão cirúrgica.
Outras religiões passavam livremente pelo filtro
Além das expressões anticristãs, a plataforma também liberava sem qualquer objeção termos vinculados a outras tradições religiosas e até a figuras do ocultismo. Expressões como “Buddha Bless” [Que Buda abençoe], “Mohammed is good” [Maomé é bom] e “Baphomet is the lord” [Bafomé é o senhor] eram processadas normalmente pelo sistema de personalização das latas.
Esse tratamento desigual expõe uma contradição gritante: se a política da empresa era barrar conteúdo de “natureza religiosa”, por que apenas o cristianismo era efetivamente censurado? A justificativa oficial do filtro simplesmente não se sustenta diante das evidências.
Filtro funcionava apenas em inglês
Outro detalhe curioso revelado nos testes: a plataforma, que operava exclusivamente para vendas nos EUA, só aplicava o bloqueio a frases em inglês. Se um usuário brasileiro digitasse “Jesus é bom” ou “Jesus é o Senhor” em português, o sistema não impunha nenhuma restrição. Isso reforça a impressão de que o mecanismo de filtragem foi programado com foco deliberado em determinados termos, e não como uma política universal contra conteúdo religioso.
Coca-Cola desativa a plataforma após repercussão negativa
Diante da enxurrada de vídeos e críticas nas redes sociais, a Coca-Cola optou por suspender o serviço de personalização em vez de corrigir publicamente o problema. Quem acessava o site passou a encontrar apenas uma mensagem informando que o serviço de personalização das latas estava esgotado.
A decisão de simplesmente tirar a plataforma do ar, em vez de oferecer uma explicação transparente sobre os critérios adotados pelo algoritmo, pode ser lida como uma tentativa de abafar a controvérsia sem assumir qualquer responsabilidade pelo viés demonstrado. Para milhões de consumidores cristãos ao redor do mundo, a mensagem ficou clara — e dificilmente será esquecida.