Sem qualquer auxílio de equipes de resgate, Yessica precisou retirar pessoalmente os corpos de seus familiares dos escombros. “Tivemos que retirá-los nós mesmos; ninguém ajudou”, relatou a mãe.
O corpo de Yesimar foi localizado na sexta-feira (26), enquanto o de Jhomel havia sido encontrado no dia anterior. Devido ao estado avançado de decomposição, a família optou pela cremação. “Vamos cremá-los porque já estão em um estágio muito avançado e não podemos fazer um velório”, explicou Yessica.
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Entrar no grupo Ela ainda precisou transportar o corpo da filha até Caracas, já que os hospitais da região não tinham mais capacidade para receber novos mortos. “Os mortos estavam no chão”, contou a mulher, descrevendo a situação no hospital de Catia La Mar, uma das cidades mais castigadas pelos tremores.
Necrotério de Caracas recebe centenas de corpos
A situação no principal necrotério da capital venezuelana ilustra a dimensão do colapso funerário. Uma caminhonete carregada com corpos envoltos em sacos brancos foi flagrada aguardando do lado de fora da instalação, em imagens registradas pela mídia local.
A agência AFP reportou que, em apenas uma hora, ao menos três caminhonetes chegaram ao local transportando vítimas cobertas com lençóis e sacos mortuários improvisados. Um funcionário do Serviço Nacional de Medicina Legal, que preferiu manter o anonimato, informou que cerca de 200 corpos já haviam dado entrada na unidade desde a sexta-feira (26).
Dois terremotos em menos de um minuto
A crise humanitária foi desencadeada na noite de quarta-feira (24), quando dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o norte da Venezuela com intervalo inferior a um minuto. Os sismos, classificados como os mais potentes registrados no país em mais de cem anos, tiveram epicentros próximos e ocorreram a baixa profundidade — fator que amplificou consideravelmente a destruição.
Além de Caracas, cidades costeiras como La Guaira sofreram danos severos, com dezenas de edifícios reduzidos a escombros. Algumas ruínas foram pichadas com os nomes dos prédios, numa tentativa de orientar os socorristas durante as buscas.
Números da tragédia impressionam
O balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano contabiliza ao menos 1.430 mortos, mais de 3 mil feridos e pelo menos 3.100 desabrigados. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários estima que mais de 50 mil pessoas possam estar desaparecidas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) calcula que até 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos tremores em todo o território venezuelano.
Ajuda internacional chega ao país
As operações de resgate prosseguem em ritmo acelerado na tentativa de localizar sobreviventes. Segundo o governo, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já desembarcaram na Venezuela para reforçar as buscas.
O Brasil enviou médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para apoiar as operações. Na bagagem das equipes, seguem recursos para resgate em estruturas colapsadas, suprimentos médicos e mantimentos. Outros países também anunciaram o envio de ajuda humanitária e equipes de emergência.
Apesar do reforço internacional, autoridades venezuelanas admitem que centenas de pessoas ainda podem estar soterradas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e a ONU alertam que o número final de vítimas tende a ser significativamente maior, considerando a extensão dos danos e a alta densidade populacional das áreas atingidas.