Diálogos extraídos do celular do líder, interceptados ao longo da investigação, revelam negociações detalhadas sobre fretes e valores de armamento. Entre os itens comercializados estão fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, todos com destino ao CV.
Rota de armas passa pela Colômbia e Venezuela até Roraima
A cadeia de suprimentos bélicos do Tren de Aragua funciona da seguinte forma: o armamento de grosso calibre é adquirido na Colômbia e na Venezuela e ingressa em território brasileiro por Roraima. No estado, as armas são armazenadas e negociadas antes de seguirem para o Comando Vermelho, sobretudo no Rio de Janeiro.
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Entrar no grupo Para realizar o transporte, a organização conta com uma rede de motoristas que oculta o arsenal em ônibus, caminhões e carretas, de acordo com informações da polícia.
Presença em ao menos sete unidades da Federação
Os dados da investigação indicam que o grupo mantém entre 150 e 250 integrantes espalhados pelo Brasil. A presença da facção foi identificada nos seguintes locais:
- Roraima
- Amazonas
- Paraná
- Santa Catarina
- Rio Grande do Sul
Além desses cinco Estados, há associados do grupo também em São Paulo e no Rio de Janeiro, o que eleva para sete o número de unidades federativas com atuação confirmada ou conexões do Tren de Aragua.
Origens da facção e expansão continental
A organização surgiu entre 2013 e 2015 no Estado venezuelano de Aragua, gestada a partir de sindicatos ferroviários e do presídio de Tocorón, onde chegou a exercer controle da penitenciária. Desde então, diversificou suas atividades criminosas, passando a atuar em tráfico de armas e drogas, mineração ilegal de ouro, tráfico de pessoas, extorsão e lavagem de dinheiro em ao menos sete países da América Latina.
Movimentação financeira bilionária e lavagem de dinheiro
A investigação da Polícia Civil de Roraima identificou uma movimentação financeira superior a R$ 6 bilhões ligada ao grupo. Desse montante, R$ 428 milhões teriam origem comprovadamente em transações ilícitas. Para ocultar os recursos, a facção recorre ao chamado smurfing — técnica que consiste em dividir grandes quantias em depósitos menores para dificultar a detecção pelas autoridades financeiras.
A estrutura de lavagem de dinheiro mantida pelo Tren de Aragua no Brasil opera por meio de empresas de fachada, reforçando a complexidade e o alcance das operações criminosas do grupo em território nacional.