Cronologia do desperdício revela falhas administrativas
Os lotes de vacinas chegaram às instalações governamentais em outubro de 2023, apesar de terem sido produzidos ainda em março do mesmo ano. O Instituto Butantan havia alertado oficialmente o Ministério da Saúde sobre os riscos de vencimento quando as negociações se arrastaram entre fevereiro e setembro de 2023.
Auditores do tribunal enfatizam que a pasta ministerial deliberadamente assumiu os riscos ao aceitar receber produtos com prazo de validade reduzido, sem estabelecer mecanismos de substituição.
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Entrar no grupo Dimensão real do prejuízo pode ser ainda maior
O rombo financeiro nos recursos públicos pode alcançar R$ 330 milhões, equivalente ao valor integral do contrato estabelecido. Levantamentos realizados pelas secretarias estaduais de saúde demonstram que, de 2 milhões de doses distribuídas aos estados, somente 260 mil foram efetivamente utilizadas na população.
Na projeção mais pessimista elaborada pelos técnicos do TCU, cerca de 97% de toda a aquisição terminou sendo descartada como resíduo.
Ministério isenta fornecedor de responsabilidades
Pouco antes da entrega dos imunizantes, o Ministério da Saúde liberou o Butantan da obrigação de substituir vacinas com prazo de validade inferior ao estabelecido no acordo. O tribunal classificou essa decisão como irregular, considerando que a situação demandava precauções extras devido ao baixo índice de utilização da Coronavac no Sistema Único de Saúde (SUS) naquele momento.
Atualmente, o TCU exige esclarecimentos de dois ex-diretores da área responsável pelas compras do governo federal.
Governo atual atribui responsabilidade à gestão anterior
Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde responsabiliza a administração de Jair Bolsonaro pelo descarte dos imunizantes. A pasta alega ter encontrado estoques abandonados e afirma ter seguido as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O governo também sustenta que todos os procedimentos administrativos foram respeitados e que o cenário global de variantes virais permanecia incerto durante o início do atual mandato presidencial.
TCU avança na investigação dos responsáveis
O ministro Bruno Dantas, responsável pelo processo no TCU, optou por prosseguir com as investigações contra funcionários da pasta, porém excluiu a ex-ministra Nísia Trindade das apurações. O magistrado considerou que não existem evidências da participação direta dela no atraso que causou o desperdício milionário.
Os ministros do tribunal mantêm as investigações em andamento para identificar todos os responsáveis pelo prejuízo aos cofres públicos.