Condenado à morte que se acredita imortal não pode ser executado, decide juíza nos EUA
Juíza vetou execução de John Richard Wood, condenado à morte que acredita ser imortal devido a esquizofrenia grave diagnosticada por três especialistas
Por ContraFatos 06/05/2026 Atualizado em 06/05/2026
Juíza decide que condenado à morte que acredita ser imortal não pode ser executado
Detento diagnosticado com esquizofrenia afirma já ter “morrido e voltado” três vezes e diz que ressuscitará após execução
A Justiça da Carolina do Sul barrou a execução de John Richard Wood, de 59 anos, preso no corredor da morte há mais de duas décadas pelo assassinato de um policial estadual. A decisão foi proferida pela juíza Grace Knie, que entendeu que o detento — que acredita ser imortal — sofre de uma doença mental grave o suficiente para impedi-lo de compreender racionalmente seus crimes, a razão de sua punição e a própria natureza da pena imposta.
Três especialistas concordaram: Wood não tem competência para ser executado
O veredito da magistrada se baseou em laudos produzidos por três profissionais distintos: um psiquiatra indicado pela promotoria, um psiquiatra independente e um psicólogo vinculado à equipe jurídica de Wood. Os três chegaram à mesma conclusão — o presidiário não atende ao padrão legal de competência necessário para a aplicação da pena de morte, segundo reportagem publicada pelo “South Carolina Daily Gazette”.
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A defesa de John havia solicitado a suspensão da sentença argumentando que os efeitos debilitantes de sua esquizofrenia tornam impossível que ele enfrente a punição capital com a lucidez exigida pela lei.
Crenças delirantes incluem ressurreição e indulto fictício do governador
Entre as manifestações da doença mental de Wood, destaca-se a convicção de que ele já “morrido e voltado” três vezes enquanto esteve no corredor da morte. O preso também afirma que ressuscitará caso o Estado leve adiante sua execução por injeção letal. Além disso, John acredita ter recebido um indulto do governador da Carolina do Sul, Henry McMaster — o que nunca aconteceu.
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Wood é o primeiro detento no corredor da morte da Carolina do Sul a ser considerado incapaz de ser executado desde que o estado retomou as execuções em setembro de 2024. A retomada ocorreu após uma interrupção de 13 anos, provocada pelas dificuldades enfrentadas pelo estado para obter os medicamentos utilizados na injeção letal.
O crime: assassinato de policial rodoviário em 2000
A condenação de John Richard Wood remonta a um episódio violento ocorrido em dezembro de 2000, no condado de Greenville. Durante uma abordagem de trânsito, Wood disparou cinco vezes contra Eric Nicholson, policial rodoviário estadual da Carolina do Sul, matando-o. Na perseguição que se seguiu, outros dois policiais foram feridos. A condenação veio em fevereiro de 2002.
Panorama da pena de morte nos Estados Unidos
Desde o início do ano, os EUA já realizaram dez execuções — todas por injeção letal. A distribuição geográfica mostra concentração em poucos estados: seis ocorreram na Flórida, três no Texas e uma em Oklahoma.
Ao longo de 2025, o país registrou um total de 47 execuções, o maior número desde 2009, quando 52 foram contabilizadas. A ampla maioria — 39 — foi realizada por injeção letal. Atualmente, a pena de morte está abolida em 23 dos 50 estados americanos. Outros três — Califórnia, Oregon e Pensilvânia — mantêm uma moratória sobre sua aplicação.
John Richard Wood — Foto: Reprodução/South Carolina Department of Corrections
Pelotão de fuzilamento: novo método autorizado em âmbito federal
No fim de abril, o governo dos EUA autorizou a ampliação dos métodos de execução federal, passando a permitir o pelotão de fuzilamento. Esse método já é utilizado em 23 países: Afeganistão, Bahrain, Belarus, Catar, China, Coreia do Norte, Emirados Árabes Unidos, EUA, Etiópia, Iêmen, Índia, Indonésia, Iraque, Kuwait, Líbia, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Omã, Síria, Somália, Taiwan e Vietnã, conforme dados da organização Juntos Contra a Pena de Morte.
No âmbito estadual, cinco estados já permitem execuções por fuzilamento: Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah.