Originalmente, o sistema facilitava a compra de itens da cesta básica. No entanto, quando o banqueiro Augusto Lima adquiriu a Ebal, o mecanismo foi rebatizado como Credcesta e passou a funcionar como instrumento agressivo de concessão de crédito consignado.
Conexão entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro
Augusto Lima, dono do Banco Pleno e amigo do senador petista, também é alvo da operação policial desta quinta-feira. Ele foi ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela maior fraude financeira da história do Brasil. O negócio chancelado na Bahia pelo líder de Lula no Senado e pelo ministro da Casa Civil permitiu que os negócios financeiros se expandissem para além das fronteiras baianas, ampliando os danos a brasileiros de todo o país.
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Entrar no grupo De acordo com a PF, os fatos apurados nesta fase da operação podem configurar, em tese, crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
CPMI do INSS já havia denunciado o esquema
Durante os trabalhos da CPMI que investigou o roubo bilionário contra aposentados do Brasil, o relator, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), já havia alertado sobre os riscos do Credcesta. Em maio, ele declarou ao Diário do Poder que a modalidade representava um “risco de endividamento permanente dos aposentados, os juros mais altos em relação ao consignado tradicional e o potencial de uso abusivo por parte dos bancos”.
O relatório final apresentado por Alfredo Gaspar ao encerramento da CPMI do INSS revelou dados alarmantes levantados pela Controladoria-Geral da União (CGU). Foram identificados mais de 905 mil casos em que o limite desse tipo de cartão de crédito consignado ultrapassou o teto regulamentar de 1,6 vez o valor do benefício mensal. Desse total, cerca de 125 mil casos apresentavam limites superiores a 3 vezes o valor do benefício utilizado para quitar as parcelas mensais dos empréstimos consignados.
Credcesta foi contemplado no Desenrola 2
Além das suspeitas já expostas pelas investigações, a modalidade de crédito criada sob a gestão do PT na Bahia recebeu tratamento especial no Desenrola 2, programa instituído neste ano eleitoral pelo presidente Lula para enfrentar o superendividamento da população brasileira. O produto financeiro, altamente rentável para os bancos, foi preservado dentro do programa — com apenas uma redução de 45% para 40% na margem total do benefício passível de consignação, além de uma limitação de 5% da margem destinada ao cartão.
Na época do anúncio do Desenrola 2, o Brasil registrava 80,4% das famílias endividadas, segundo levantamento divulgado em abril pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice representa o maior patamar de toda a série histórica do estudo.