Associação dos Profissionais dos Correios cobra responsabilidade do governo
O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Roberval Borges Corrêa, afirmou que espera que o recurso seja liberado até 20 de dezembro, prazo limite para o pagamento do 13.º. Segundo ele:
“Sem esse aporte, não há garantia nem de pagamento do 13.º e outros compromissos.”
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Corrêa responsabilizou o Executivo e lembrou que a União, como único acionista da empresa, tem a obrigação de manter o serviço postal universal, que representa um alto custo anual — quase R$ 5 bilhões somente em 2025. Ele afirmou que 80% das agências operam com prejuízo, sendo mantidas apenas para atender à população.
“Se os Correios fossem decidir sozinhos, como empresa, eles não manteriam 80% da rede de agências, porque elas são deficitárias.”
Fazenda enfrenta entraves para liberação dos recursos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (10) que o governo atua em duas frentes simultâneas: o aporte emergencial e a negociação do empréstimo com um pool de bancos. No entanto, ele descartou qualquer medida fora do arcabouço fiscal, como crédito extraordinário, para liberar recursos imediatos.
“Não vamos ficar com a faca no pescoço por conta da incompreensão da parte de uma ou outra instituição financeira”, disse Haddad.
Devido às exigências legais, a liberação de verbas via arcabouço depende de um novo Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, o que levaria pelo menos dez dias — tempo considerado inviável, dada a proximidade do recesso legislativo. Por isso, o empréstimo aparece como única alternativa viável.
Negociações travam por causa de juros altos
Mesmo com garantia soberana da União, os bancos envolvidos na negociação (Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra) ofereceram o crédito com juros considerados excessivos: cerca de 136% do CDI, ou 20% ao ano.
Diante disso, a Fazenda chegou a acionar a Caixa Econômica Federal, mas não houve avanço nas tratativas. O Tesouro Nacional rejeitou a proposta devido ao risco operacional atribuído à situação atual da empresa.
Plano de reestruturação é exigência para liberação do crédito
Buscando uma solução, o governo publicou um decreto que autoriza a concessão de garantia da União ao empréstimo, mas exige a apresentação de um plano completo de reestruturação por parte da estatal. A medida visa evitar que os Correios se tornem dependentes permanentes do Tesouro, o que iria na contramão dos princípios do ajuste fiscal.
O ministro Haddad reiterou que esse plano é fundamental para que os bancos aceitem o risco da operação, o que poderia inclusive reduzir o valor estimado do crédito — atualmente em R$ 20 bilhões — necessário para quitar dívidas e garantir a reestruturação da empresa.
A primeira fase do plano, divulgada em outubro, propôs o fechamento de agências e um Programa de Demissão Voluntária (PDV), mas foi considerada tímida por especialistas do setor. Ainda há dúvidas quanto à capacidade de adaptação da estatal para concorrer com empresas privadas num cenário dominado por entregas online e alta tecnologia.
“Existe uma estrutura de mercado: onde ele vai se encaixar?”, questiona o economista Murilo Viana. “Deve manter serviços postais ou concorrer com as empresas privadas na entrega de compras on-line?”
Nova gestão tenta reparar danos da administração anterior
Para Roberval Corrêa, as medidas da atual gestão dos Correios, sob comando de Emmanoel Schmidt Rondon, apontam para a solução da crise. Ele criticou duramente a administração anterior, comandada por Fabiano Silva dos Santos, a quem atribui a origem do cenário atual.
“A gestão foi perdulária, incompetente, inadequada à realidade da empresa”, afirmou Corrêa. “A atual administração está tentando resolver dentro de uma lógica de gestão profissional.”
A estatal, em nota enviada à Gazeta do Povo, afirmou que os detalhes do Plano de Reestruturação serão divulgados em data a ser definida, e que a operação de crédito segue em negociação, com mais informações a serem liberadas assim que forem formalizadas.