CPMI do Lulinha: senador Carlos Viana inicia coleta de assinaturas para instalação de comissão no Congresso
Senador Carlos Viana começou a recolher assinaturas para instalar CPMI que investigará suposta intermediação de Lulinha junto ao governo federal
Por ContraFatos 20/08/2026 Atualizado em 20/08/2026
Fábio Luis Lula da Silva (Lulinha), ao centro, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva • 24/01/2007 - ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO
Parlamentar defende investigação sobre suposta intermediação de interesses privados junto ao governo federal
O requerimento para criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) focada nas atividades de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começou a ser encaminhado a deputados e senadores na quinta-feira (20). A iniciativa é do senador Carlos Viana (PSD-MG), que busca reunir o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento.
Origem da proposta e conexão com a CPMI do INSS
Viana foi presidente do colegiado que investigou as fraudes no INSS e sustenta que surgiram novos desdobramentos envolvendo Lulinha, que já havia sido alvo de pedidos de indiciamento naquela comissão. O relatório da CPMI do INSS, apresentado no final de março pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) — atualmente vice de Flávio Bolsonaro na candidatura à presidência da República —, foi rejeitado pelo colegiado.
Leitura
Foco da investigação proposta
O objetivo central da nova CPMI é apurar a eventual atuação de Lulinha na intermediação de interesses privados perante órgãos e agentes do Poder Executivo Federal. O requerimento destaca especialmente tratativas relacionadas à comercialização, fornecimento ou incorporação de medicamentos à base de canabidiol, envolvendo Roberta Moreira Luchsinger, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, empresas e demais intermediários ligados aos fatos.
O senador Carlos Viana, que disputa uma vaga para permanecer no Senado, argumenta que é fundamental esclarecer relações pessoais, canais de acesso ou influência perante órgãos do Governo Federal utilizados para a defesa de interesses empresariais privados.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Na justificativa do requerimento, Viana enumera os pontos que precisam ser esclarecidos. “É necessário esclarecer qual foi a participação de cada um dos envolvidos nas tratativas; quais empresas e interesses econômicos estavam representados; se houve pagamentos, promessas de vantagens ou remunerações pela intermediação; quais órgãos, autoridades, servidores ou assessores públicos foram procurados; quais reuniões e comunicações ocorreram; quais propostas foram apresentadas ao Poder Executivo; e se houve utilização indevida de relações pessoais ou de acesso privilegiado à estrutura governamental”, afirma na justificativa.
Quórum necessário e decisão final
A instalação de uma CPMI no Congresso Nacional exige ao menos 171 assinaturas de deputados federais e 27 de senadores, o equivalente a um terço dos membros de cada casa legislativa. Mesmo que o quórum de assinaturas seja atingido, a palavra final sobre a abertura da comissão cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).