Juros mais altos na segunda operação: armadilha do crédito fácil
De acordo com o levantamento, 29% dos trabalhadores que contrataram um segundo empréstimo aceitaram taxas de juros superiores às da primeira operação. Esse dado evidencia que uma parcela significativa dos usuários do programa passou a tomar crédito em condições cada vez menos favoráveis — um comportamento típico de quem entra na espiral do endividamento para cobrir compromissos anteriores.
As regras do Crédito do Trabalhador permitem que até 35% do salário-base seja comprometido com parcelas de financiamentos. Mais do que isso: cada empregado pode manter até nove contratos simultaneamente na modalidade. A generosidade do governo na concessão de margem consignável, em vez de proteger o trabalhador, parece funcionar como porta de entrada para o superendividamento.
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Entrar no grupo Operações de menor valor predominam, mas custam mais caro
O perfil dos contratos revela que o consignado privado vem sendo utilizado majoritariamente para operações de pequeno porte. Cerca de 44% dos contratos envolveram empréstimos de até R$ 1,5 mil, com uma taxa média mensal de 7,02% — um patamar elevado que corrói rapidamente o poder de compra dos trabalhadores de menor renda.
Na ponta oposta, financiamentos acima de R$ 20 mil representaram apenas 1,9% da amostra. Essas operações de maior volume, paradoxalmente, apresentaram juros médios menores e prazos de pagamento mais longos — beneficiando proporcionalmente quem menos precisa de alívio financeiro.
Demanda por crédito expõe fragilidade financeira dos trabalhadores
Os dados da Serasa Experian apontam ainda uma demanda elevada por crédito entre os usuários do programa. Cerca de 68% dos trabalhadores registraram entre duas e cinco consultas de crédito, sinalizando que a busca por novos empréstimos é recorrente e intensa.
Com o Brasil registrando 80,9% da população endividada em abril, segundo dados da CNC, o Crédito do Trabalhador — apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Fernando Haddad como ferramenta de inclusão financeira — levanta questionamentos sérios sobre o modelo econômico petista, que historicamente aposta no estímulo ao consumo via crédito, mas frequentemente deixa como saldo uma população cada vez mais endividada e dependente de novas linhas de financiamento para honrar compromissos anteriores.