Crianças confinadas em quarto com dejetos humanos são resgatadas pela polícia
Dezesseis crianças foram resgatadas em Ohio após viverem confinadas por quatro anos em quarto com dejetos humanos sem contato externo
Por ContraFatos 02/07/2026 Atualizado em 02/07/2026
Casa onde as 16 crianças ficaram presas por 4 anos. Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Dezesseis menores viviam em condições degradantes em casa rural de Ohio havia quatro anos
Um caso chocante de negligência e confinamento de crianças veio à tona no estado de Ohio, nos Estados Unidos, após a polícia resgatar 16 menores que viviam trancados em um único cômodo de uma residência na zona rural de Hamden. O ambiente estava coberto por dejetos humanos, e os jovens não tinham qualquer contato com o mundo exterior.
Descoberta aconteceu durante outra investigação
Foi na terça-feira (30), durante o cumprimento de um mandado de busca ligado a uma investigação diferente, que os agentes se depararam com a situação. As crianças tinham entre um ano e meio e 18 anos de idade. Segundo os investigadores, elas passaram a maior parte dos últimos quatro anos em um espaço de aproximadamente 3,5 metros por 3,5 metros. Algumas sequer conseguiam falar. Uma jovem de 18 anos com deficiência intelectual não sabia escrever o próprio nome.
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Autoridades descrevem cenário como repugnante
O xerife do condado de Vinton, Ryan Cain, não escondeu a indignação ao descrever o que presenciou. “O cenário era repugnante. Nosso gado vive em condições melhores do que essas crianças”, afirmou. Já o procurador-geral de Ohio, Andy Wilson, declarou que não tinha conhecimento da existência das 16 crianças. Ele classificou a situação como incomum para o país e disse que os menores pareciam “quase animais selvagens”.
Sete crianças hospitalizadas, uma em estado crítico
Após o resgate, sete dos menores precisaram ser encaminhados a hospitais em Columbus. Duas foram transportadas de helicóptero. Uma das crianças confinadas estava em estado crítico no momento em que foi encontrada. Todas passaram a receber tratamento médico e ficaram sob custódia temporária dos serviços de proteção à infância.
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Quatro adultos responsáveis pelas crianças foram detidos e acusados de colocar menores em risco, com agravante por causar graves danos físicos. Em audiência judicial, Gary Siders Jr., Gary Siders Sr., Christina Siders e Elizabeth Siders tiveram a fiança estipulada em US$ 300 mil cada. Até o momento, nenhum deles constituiu advogado de defesa.
Crianças invisíveis para o sistema
As autoridades revelaram que nenhum dos menores frequentava a escola. Aparentemente, ninguém fora do núcleo familiar sabia da existência dessas crianças. Os investigadores estão apurando se houve denúncias anteriores contra os responsáveis. Há indícios de que a família deliberadamente evitava criar registros médicos e governamentais para os menores, mantendo-os completamente fora do alcance de qualquer órgão público.
Caso é comparado à família Turpin, da Califórnia
A gravidade do episódio levou autoridades e a imprensa a traçarem paralelos com o caso da família Turpin, ocorrido na Califórnia. Naquela situação, 13 irmãos foram mantidos em cárcere privado e submetidos a anos de abusos até serem resgatados em 2018. As informações são da Associated Press.