Os desligamentos não ficaram restritos a uma única localidade. As demissões atingiram trabalhadores em diversos estados onde o Grupo Mateus consolidou sua presença ao longo dos anos, incluindo Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
Racionalização: a lógica por trás do fechamento de lojas
O encerramento de 28 unidades durante o trimestre não foi uma decisão impulsiva. Trata-se de um processo de racionalização, em que a empresa passou a avaliar com critério rigoroso a viabilidade financeira de cada ponto de operação.
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Entrar no grupo Por vários anos, a rede adotou uma estratégia agressiva de expansão. Abriu filiais em ritmo acelerado, ampliou sua cobertura regional, investiu no formato de atacarejo e diversificou seus canais de venda. Porém, esse avanço trouxe consigo um aumento expressivo de despesas — aluguel, logística, energia elétrica, folha de pagamento e custos administrativos passaram a pesar no balanço.
Unidades que não entregavam retorno compatível com os investimentos começaram a comprometer o caixa. A saída encontrada pela diretoria foi fechar lojas menos rentáveis e direcionar recursos para operações com maior potencial de lucro.
Faturamento bilionário se mantém mesmo com cortes
Apesar da reestruturação, o Grupo Mateus segue como uma potência do varejo alimentar brasileiro. No Ranking ABRAS 2026, a companhia aparece na terceira posição entre as maiores redes do setor, atrás apenas de Carrefour e Assaí.
A empresa mantém faturamento bilionário e continua operando em múltiplos estados. Isso evidencia que o fechamento das lojas está relacionado a uma busca por eficiência e rentabilidade, e não a uma retração de mercado. O grupo alterou sua lógica de crescimento: saiu da expansão a qualquer custo para um modelo mais seletivo e calculado.
Cenário desafiador para o varejo alimentar
A decisão do Grupo Mateus ocorre em um contexto difícil para supermercados e atacarejos em todo o país. O consumidor brasileiro enfrenta juros elevados, alto nível de endividamento familiar e pressão sobre a renda, o que limita a disposição para gastos maiores.
Nesse ambiente, redes varejistas disputam clientes que priorizam preços baixos, promoções e compras planejadas. As margens ficam cada vez mais apertadas, enquanto custos operacionais como transporte, energia, aluguel, tecnologia e perdas continuam crescendo.
Diante dessas circunstâncias, grandes grupos vêm reavaliando a manutenção de unidades pouco lucrativas. Em certos casos, encerrar uma operação se mostra mais vantajoso do que sustentá-la consumindo recursos com retorno insuficiente.
Produtividade como nova prioridade
Além de fechar lojas e reduzir pessoal, a empresa também passou a perseguir ganhos de produtividade. A orientação é trabalhar com estruturas mais enxutas, despesas controladas e supervisão detalhada de cada área do negócio.
Mesmo após os cortes significativos, o grupo ainda emprega dezenas de milhares de pessoas e permanece entre os nomes mais relevantes do varejo alimentar no Brasil.
As marcas que compõem o Grupo Mateus
A atuação da companhia vai além dos supermercados tradicionais. O portfólio do Grupo Mateus inclui diversas frentes:
- Mix Mateus — atacarejo voltado para compras em volume com preços competitivos
- Mateus Supermercados — varejo tradicional para compras do dia a dia
- Eletro Mateus — eletrodomésticos, móveis e eletrônicos
- Armazém Mateus
- Camiño Supermercados
- Spazio
- Bumba Meu Pão — panificação
- Food Service Mateus — distribuição e produção de alimentos
Essa estrutura integrada permite ao grupo abastecer parte de suas próprias lojas, reduzindo a dependência de fornecedores externos.
Nova fase: eficiência acima da expansão
O momento atual marca uma virada estratégica clara para o Grupo Mateus. A era de crescimento acelerado deu lugar a uma fase de ajuste interno, com foco em controle de despesas, rentabilidade por unidade e operação mais eficiente. A companhia continua com presença relevante no varejo brasileiro, mas agora sob uma lógica diferente daquela que guiou sua expansão nos anos anteriores.