Crise: Pernambucanas entra na mira da crise do varejo e avalia suspender pagamento de aluguéis
Pernambucanas avalia suspender aluguéis por dois meses para preservar caixa diante de prejuízo acumulado de mais de R$ 600 milhões no varejo brasileiro
Por ContraFatos 05/09/2026 Atualizado em 05/09/2026
Pernambucanas Entra Na Mira Da Crise Do Varejo E Avalia Suspender Pagamento De Aluguéis
Tradicional varejista fundada em 1908 acumula prejuízo milionário e pode reter R$ 60 milhões em caixa suspendendo aluguéis por dois meses
Mais uma gigante do comércio brasileiro dá sinais de fragilidade financeira. A Pernambucanas, com mais de um século de história no varejo nacional, estuda interromper por aproximadamente dois meses o pagamento de aluguéis de diversos imóveis onde opera. A medida visa preservar cerca de R$ 60 milhões em caixa, conforme cálculos divulgados pelo site Silla, especializado em mercado imobiliário. A companhia, no entanto, nega que tenha a intenção de postergar esses pagamentos.
Prejuízos acumulados acendem alerta sobre a saúde financeira da empresa
Os números da operação de varejo da Pernambucanas revelam uma deterioração significativa. A empresa acumulou um prejuízo líquido de R$ 410 milhões ao longo de 2025, somando ainda outros R$ 206 milhões negativos apenas no primeiro trimestre de 2026. Outro indicador preocupante é a queda brusca do patrimônio efetivo dos acionistas — o valor que sobra após descontadas todas as dívidas e obrigações. Esse montante despencou 62%, saindo de R$ 1,11 bilhão em dezembro de 2024 para R$ 421 milhões em março de 2026.
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Gastos com aluguéis pesam no caixa da varejista
Em março deste ano, a rede contava com aproximadamente 472 lojas. Dessas, 76% funcionam em imóveis de rua e 24% estão instaladas em shopping centers. Os custos com locação atingiram R$ 337 milhões em 2025. Somente nos três primeiros meses de 2026, a despesa já alcançou R$ 91 milhões, o que equivale a cerca de R$ 30 milhões por mês.
Crise no varejo brasileiro já derrubou outras marcas tradicionais
A situação da Pernambucanas se insere em um cenário mais amplo de turbulência que atinge o varejo brasileiro nos últimos dois anos. Marcas históricas já sucumbiram a dificuldades semelhantes. A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em agosto, carregando dívidas de R$ 17,3 bilhões. O Grupo Marabraz também recorreu à Justiça para tentar reestruturar suas obrigações financeiras. A Pernambucanas pode ser a próxima vítima desse ciclo de crise.
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Nova diretoria assume para tentar reverter o cenário
Em julho, a empresa realizou uma reformulação em sua cúpula administrativa. Marcelo Pimentel, ex-CEO do GPA e das Lojas Marisa, assumiu a presidência-executiva da companhia. Para a posição de CFO, foi escolhido Ernane Abrahão, ex-diretor financeiro do Grupo Avenida. Já Carlos Henrique Bandeira de Mello, conhecido como Caíque, passou a comandar o conselho da varejista.