Cuba cancela festival icônico de charutos por falta de petróleo
Cuba adia festival de charutos devido a crise de petróleo, afetando receita e economia.
Por Redator 15/02/2026 Atualizado em 15/02/2026
Foto: Reprodução
Evento que rende milhões e sustenta o sistema de saúde é adiado em meio à crise energética
Cuba anunciou neste sábado (14/02) o cancelamento da edição de 2026 do seu tradicional festival de charutos — um dos eventos mais importantes da economia cultural da ilha — em meio a uma grave crise energética que tem afetado todo o país.
O Festival del Habano, programado para ocorrer entre os dias 24 e 27 de fevereiro, foi postergado em comunicado enviado aos participantes, sem que tenha sido divulgada uma nova data.
Leitura
Renda perdida e impacto econômico
O evento não é apenas uma feira cultural: ele costuma arrecadar milhões de dólares em leilões de charutos e itens de luxo vinculados à tradição cubana, com boa parte dos recursos sendo destinados ao sistema de saúde do país. No ano passado, o leilão do festival movimentou cerca de US$ 19,5 milhões.
Os charutos premium são uma das exportações mais simbólicas de Cuba, especialmente valorizados na Europa, mercado que representa grande parte da renda em moeda forte da ilha.
Receba no WhatsApp as principais noticias do dia
Entre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
O adiamento ocorre em meio a uma escassez severa de petróleo e cortes no fornecimento de combustível que têm provocado apagões frequentes e interrompido voos internacionais. A situação se intensificou após o bloqueio das remessas de petróleo provenientes da Venezuela — tradicionalmente o principal fornecedor — e a suspensão de embarques do México devido à pressão dos Estados Unidos.
Cuba importa grande parte de seu petróleo, necessário para movimentar o sistema elétrico e setores vitais da economia. A falta de combustível tem ajudado a aprofundar uma crise que afeta desde geração de energia até serviços de turismo e transporte, com várias companhias aéreas reduzindo ou cancelando voos ao país.
A administração cubana atribui a situação à intensificação do embargo econômico e à pressão externa, enquanto enfrenta apagões prolongados e dificuldades logísticas que incluem restrições na operação de hotéis e outros eventos culturais.