Boa Vista se torna porta de entrada no território brasileiro
Em Boa Vista, capital de Roraima, os cubanos já dominam os atendimentos do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR). Eles representam cerca de 85% das pessoas assistidas pela entidade na cidade, que fica próxima à fronteira com a Guiana.
A rota migratória mais utilizada, segundo a publicação, parte de Havana com destino a Georgetown, capital guianense. A partir de lá, os migrantes percorrem um trajeto terrestre pela Amazônia até cruzar a fronteira brasileira e alcançar Boa Vista.
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Entrar no grupo Endurecimento de outros países impulsiona a busca pelo Brasil
A mudança nos fluxos migratórios cubanos não é acidental. Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, tornaram as regras de entrada para estrangeiros consideravelmente mais rígidas. Em fevereiro, a Nicarágua também passou a exigir visto de cidadãos cubanos. A Guiana, em contrapartida, segue dispensando o visto, o que a transforma em uma espécie de trampolim terrestre para o Brasil.
Direitos quase iguais aos dos brasileiros
Ao chegar ao território brasileiro e formalizar a solicitação de refúgio, os cubanos obtêm documentação provisória que lhes assegura direitos praticamente equivalentes aos dos cidadãos brasileiros. Isso inclui acesso ao sistema público de saúde, à educação, à abertura de contas bancárias e ao mercado de trabalho, mesmo durante a espera pela decisão sobre o pedido.
Sul do país é o destino preferido dos migrantes cubanos
Apesar de Boa Vista ser a porta de entrada, a maioria dos cubanos deixa Roraima rapidamente em busca de empregos e melhores condições em outras regiões. Curitiba e Florianópolis figuram entre os destinos preferidos, tanto pela qualidade de vida quanto pelas oportunidades profissionais. Muitos já chegam ao Sul com vagas indicadas por familiares ou conhecidos que se estabeleceram anteriormente.
Sem mecanismo especial de interiorização
Diferentemente do que acontece com os venezuelanos, os cubanos não contam com o mesmo programa de interiorização oferecido pelo sistema brasileiro. Conforme apontado pelo jornal espanhol, os pedidos de refúgio de cidadãos cubanos seguem o procedimento convencional, com análise individualizada — processo que pode se arrastar por anos até uma definição.