Segundo o documento, a facção mantinha uma divisão rigorosa de funções. Doca supervisionava o tráfico de drogas, a compra de armamentos e o controle financeiro do grupo. Seus subordinados, Pedro Bala, Gardenal e Grandão, compunham o núcleo estratégico responsável por operações e expansão territorial.
Gardenal coordenava invasões a comunidades dominadas por milícias, enquanto Grandão gerenciava escala de plantões e pagamento de criminosos. O texto ainda menciona um policial militar suspeito de ter pedido auxílio ao grupo para recuperar um carro roubado.
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Entrar no grupo Grupo “Sombra” e métodos de punição
O criminoso conhecido como BMW era o líder do Grupo Sombra, célula armada da facção responsável por castigos físicos e execuções internas. Segundo o juiz, o grupo utilizava armamento pesado e promovia sessões de violência contra moradores acusados de colaborar com rivais.
“Os elementos de convicção deixam revelar indícios suficientes de autoria e prova da materialidade dos crimes de tortura e associação para o tráfico de drogas, praticados com emprego de arma de fogo e envolvendo adolescentes”, destacou Picanço.
As interceptações telefônicas e vídeos obtidos durante as investigações mostraram o cotidiano do grupo. Um dos registros cita Aldenir Martins do Monte Júnior, que teria sido arrastado por um carro e amordaçado para forçá-lo a admitir envolvimento com uma delação rival. Em outro vídeo, Fagner Campos Marinho (Bafo) aparece intimidando uma vítima ferida, antes de uma execução.
Plano de expansão e domínio territorial
As investigações começaram em janeiro, após uma denúncia anônima. A Polícia Civil apurou que a cúpula do CV se reuniu na Penha para planejar a expansão de suas atividades para áreas sob domínio de milícias.
O inquérito apontou que o grupo atuava em ao menos 12 comunidades da zona norte do Rio, com 48 traficantes armados garantindo o controle dos pontos de venda. Uma mulher identificada como olheira era responsável pela vigilância local.
O juiz observou que vários dos acusados possuem extensas fichas criminais, enquanto outros, mesmo sem antecedentes, foram flagrados com fuzis, rádios e grandes quantidades de drogas. Para ele, libertar os réus representaria risco à ordem pública.
“É pueril imaginar que uma vida criminosa, como resta indiciado ser a dos acusados acima mencionados, cessará como que por encanto”, escreveu Picanço. “Não é isso que a realidade demonstra.”
Megaoperação teve 119 mortos e mais de 100 presos
No dia seguinte à decisão, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, apresentou o balanço da megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha. A ação resultou em 119 mortes, sendo 115 integrantes do CV e quatro policiais.
Mais de 2,5 mil agentes participaram das incursões, que cumpriram 180 mandados de busca e apreensão e 70 de prisão, além de 30 pedidos enviados pela Polícia Civil do Pará. Ao todo, 113 pessoas foram presas, incluindo 33 foragidos de outros estados e dez adolescentes infratores.
Os policiais apreenderam 118 armas, 14 explosivos, milhares de munições e centenas de carregadores, além de toneladas de drogas ainda em contagem.