Emenda ao crédito consignado teria contrariado interesses do banco
A Polícia Federal aponta que um dos episódios de suposto favorecimento teria acontecido durante a tramitação de uma medida provisória (MP) voltada a ampliar o limite de crédito consignado para a maioria dos trabalhadores assalariados. Contudo, a defesa de Jaques sustenta que a emenda por ele apresentada ao texto ia na direção oposta aos interesses da instituição financeira, ao “limitar juros e proteger consumidores”.
O dispositivo proposto pelo senador estabelecia o seguinte: “Os juros para todas as modalidades de crédito consignado, independente do momento em que foi contratado, não poderá exceder ao limite de 300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)”.
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Entrar no grupo Posicionamento contrário à chamada “Emenda Master”
Outro suposto episódio de favorecimento, segundo a investigação, teria ocorrido na tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tratava da autonomia financeira do BC (Banco Central). Foi nesse contexto que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou a conhecida “Emenda Master“, cujo objetivo era ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
“O senador se posicionou contra a ‘Emenda Master’. Todos esses posicionamentos e atuações do senador Jaques Wagner são públicos. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério [PSDB-AM], reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto”, diz a defesa.
Valores em espécie teriam origem lícita, segundo advogados
Quanto ao dinheiro em espécie localizado nos endereços do parlamentar, a equipe de defesa afirma que os recursos “tem origem lícita e comprovada”. “Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular”, indicam os advogados.
Repercussão no Palácio do Planalto
Jaques Wagner e familiares foram alvos da operação de busca e apreensão na última quinta-feira (18). Dentro do Palácio do Planalto, uma ala governista avalia que a operação da PF causa danos à imagem do governo e já defende que haja substituição na liderança do Senado.