Omissões e tentativa de proteger aliados motivam insatisfação
O descontentamento de Mendonça se deve ao que ele identifica como omissões do ex-banqueiro e tentativas de blindar aliados dentro da proposta de colaboração premiada. Os anexos da delação foram entregues às autoridades na quarta-feira (6), mas seu conteúdo não correspondeu às expectativas do ministro.
Havia, por exemplo, a expectativa de que Vorcaro detalhasse em profundidade sua relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo apurado, isso não aconteceu até o momento.
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Entrar no grupo Informações sobre Ciro Nogueira consideradas insuficientes
No caso específico do senador Ciro Nogueira, o que Vorcaro apresentou foi avaliado como insuficiente e aquém das informações que os investigadores já possuem. Entre as principais suspeitas da PF, está a de que o parlamentar recebia valores repassados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Felipe teria firmado uma parceria “ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”. O primo do ex-banqueiro foi preso temporariamente.
Consequências para Vorcaro podem ser severas
Sem a homologação da delação, o ex-banqueiro pode permanecer preso por um período muito mais longo. Mendonça analisa inclusive um pedido da PF para que Vorcaro seja transferido de volta ao Complexo da Papuda, cujas condições são mais precárias do que as da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde ele está atualmente detido.
Possíveis caminhos jurídicos e impasse sem prazo definido
Em caso de recusa formal do ministro para homologar o acordo, a defesa de Vorcaro poderia recorrer à Segunda Turma do STF. No entanto, esse caminho pode ser demorado: o magistrado não possui prazo para decidir se aceita ou rejeita a proposta de colaboração. Ele pode simplesmente adiar a decisão, aguardando que o ex-banqueiro adote uma postura diferente.
Conforme já revelado anteriormente, Mendonça já travou discussões ríspidas e em termos duros com a defesa do ex-banqueiro, evidenciando o grau de tensão nas negociações em torno da delação premiada.
Com informações de Folha de São Paulo